6 Ago, 2008
Um belo Dia
Sem palavras!
HISTORIA DE UN LETRERO (THE STORY OF A SIGN)
Dica da Mirian Menezes: http://mirianmenezes.wordpress.com/
Sem palavras!
HISTORIA DE UN LETRERO (THE STORY OF A SIGN)
Dica da Mirian Menezes: http://mirianmenezes.wordpress.com/
Tá de noite, madrugada e já comecei escrevendo plagiando o Julio Verne. Acho que é porque vi qualquer coisa na internet falando de um possível filme com histórias dele que será lançado, ou relançado. Não sei.
Já voltei da viagem ao peru faz uma semana e pouco, a rotina diária pouco a pouco vai tomando lugar e as lembranças vào ficando cada vez maiores, enquanto as sensações pouco a pouco vão deixando apenas doces e profundas marcas.
Naquela tarde, após os mágicos episódios de sacksaywaman nos dirigimos a Moray. Um complexo arqueológico interessante com seus vários patamares de agricultura em forma circular e que descem em direção ao centro da terra.
O Universo nos havia reservado um pequeno presente, Pablo, o taxista que nos levava era tamb;em um profundo conhecedor da geografia, história e mitologia local. Ao ver nosso contentamento e as perguntas objetivas de ka resolveu pegar um atalho e passar por uma estrada vicinal, de terra, mas que escondia várias vistas maravilhosas do Vale Sagrado dos Inkas. Passamos por um pedágio local e foi interessante saber como as comunidades de agricultores de organizam no Peru. geralmente cultivam pedaços de terra que sào da comunidade e nòa de um indivíduo apenas, e assim dividem trabalho e produção. Naquele caso específico Pablo dizia que somavam a isso a administração da estrada, que embora de terra estava em muito bom estado. Comentava que se deixassem por conta do governo fazer isso jamais conseguiriam trafegar ou mesmo viver adequadamente.
Eu, interessado no que dizia Pablo, mas só de longe. Meu embevecimento contínuo pelas inúmeras vistas deslumbrantes me deixavam um pouco atônito e meio inexperessivo.
Nos mostrou uma Pacarina, ou local de origem. Um lago com uma quietude e uma presença inigualáveis. embora breve o momento que paramos para tirar fotos, aquele local preencheu alguma parte de meu ser que eu mesmo desconhecia e que vinha sedenta de atenção há milênios.
Muitas curvas e vistas depois chegamos a Moray. Eu havia visto fotos que me deixaram ultra intrigado em relação àquele local, mas minha curiosidade era como uma gota de água no oceano frente a grandeza daqueles patamares de agricultura. Era algo sobrehumano pensar como aqueles patamares foram construídos.
Quando começamos a descida descobri, para maior surpresa, que não era apenas um complexo de patamares concentricos, mas 4 deles. De qualquer forma a tarde avançava e nào teríamos tempo para visitar todos, e portanto nos dirigimos ao principal e maior de todos.
As escadas, formadas de pedras que sobressaiam dos muros, eram interessantes de se descer, e às vezes perigosas por serem muito juntas aos muros.
Quando estávamos no penúltimo patamar antes do centro profundo do local, paramos e nos distanciamos e começamos a emitir mantras e sons guturais. era incrível a acústica local e em alguns minutos começamos a sentir algo mais que o som. Uma espécie de onda circular, como as “olas”feitas pelos torcedores em jogos de futebol, passava por nossos corpos a cada 10 segundos, mais ou menos. mesmo depois que paramos de entoar os mantras continuávamos a sentir “la ola”.
Por fim descemos até o patamar mais baixo. Diferentemente da maioria dos complexos arqueológicos que tem em seus patamares apenas grama, este possuia duas plantações, uma arbustiva e outra rasteira. Achamos interessante e imaginamos como seria lindo se todos os patamares ainda fossem hoje cultivados. depois uma análise mais minuciosa nos mostrou que na verdae quase todos os patamares de Moray eram cultivados, somente que naquele dia eles, à exceçào ultimo, estavam sendo preparados para o plantio.
Ka tinha em sua bolsa folhas de coca. Assim como é feito milhares de vezes por dia em todo o Peru, oferecemos, no centro do patamar, as folhas à Mãe Terra, agradecendo em primeiro lugar, e pedindo força, proteção, coragem e fertilidade e abundância na vida, pois aquele local emanava a prosperidade da vida. Nos abraçamos e nos agradecemos pela bela jornada que estávamos empreendendo e pedimos que todas as pessoas que viriam se juntar a nós no dia seguinte tivessem uma boa e segura viagem e que nossos dias juntos fossem de luz, alegria, cerscimento e aprendizado.
Sentindo-nos felizes sentimos uma presença muito sutil mas ao mesmo tempo muito marcante próximo a nós. Procuramos por pessoas ou animais mas estávamos sozinhos no centro daqueles vastos patamares. E foi então que sentimos que a presença vinha dali de perto, da plantação que estava a poucos metros de nós. Nos aproximamos dos vegetais, já secos e identificamos que era uma plnatação de Quinua, ceral nobre e riquíssimo em vitaminas e substâncias necessárias à vida.
A Plantaçào toda era como se fosse uma única entidade que nos acolhia, nos recebia de braços abertos e extremamente amorosos. Era suave, plena, tranquila e nos preenchia de uma paz alegre e suave. A sensação era que aquelas plantas rosadas e cáqui nos ligavam de modo mais rápido e delicado ao mundo espiritual, à parte interna de cada um de nós. Era como se cada uma daquelas delicadas plantas fosse um templo em si, um templo natural erigido pela Pachamama para levar seus filhos a encontrarem-se nas plantações e porque não quando ingerissem seus frutos. Um alimento para o corpo e um abrigo e veículo para o espírito.
Nos deitamos no meio das plantas e ali ficamos por muito tempo. Mais uma vez sentia aquela inteireza, aquela falta de necessidades que trazia uma união com tudo ao meu redor. não havia fome, frio, sede, calor, pressa ou preguiça. Havia somente estar ali. Pleno, inesgotável, eterno e ainda sim infinitamente mortal e efêmero.
Não é preciso dizer que tamb;em nõa havia qualquer desejo de ir embora, mas sabíamos que nào poderíamos nos delongar. Subimos os andenes, um a um, com extrema delicadeza e calma, presentes da Mama Quínua e chegando no topo vimos o sol se por e a lua cheia se levantar no horizonte oposto. Um momento de puro equilíbrio entre o Sol, a Lua, a Terra e seus Filhos.


Dia seguinte, corpos já cansados e céu nublado pareciam querer nos manter pregados à cama.
Num esforço quase sobrenatural saímos em direção ao Templo da Lua, próximo a sacksaywaman.
Não acreditamos, quando, de longe, em meio ao campo de trigo vimos faixas amarelas em volta do complexo monolítico e trabalhadores do INC, intituto naciona de cultura do peru, trabalhando nas ruínas deste templo.
Ainda esperançosos chegamos, ka e eu, até o templo e nos certificamos que a entrada estava proibida.
Resolvemos então pegar as ruínas do que era a antiga estrada Inka e descermos a encosta até Sacksaywaman.
Eu particularmente andava sem muita vontade de ir até sacksaywaman pois inha primeira impressão do local, dias atrás nào havia sido das melhores. Conhecia lugares de poder fortes e sacksaywaman pelo seu porte mostrara muito mais do que parecia ser de verdade.
Mas como Ka havia insistido muito estava disposto a acompanhá-lo por simples apoio amistoso.
- Não é possível Allan, que você esteja falando da mesma Sacksaywaman que eu conheço. Repetia ele vezes sem fim.
Entramos pelos “fundos” do complexo arqueológico, onde uma série de pedras naturais, não trabalhadas e pequenas grutas existiam.
Depois de andar um pouco encontramos uma “chincana”, gruta com duas entradas, que nao permitia a entrada de luz e que era utilizada para uma espécie de ritual de renascimento, de sair das profundezas da terra novamente à vida.
Muito bem. Vamos nós diretamente ao centro da terra! uhu!
Uhu nada. após dois passos e uma escuridão que podia-se ver mais com os olhos fechados que abertos começamos a morrer de medo e dar vazão a questionamentos se poderíamos nos perder, se existia só um caminho, se tinha bicho papão, etc, etc.
Voltamos dois passos para o velho e conhecido mundo, cheio de luz, mesmo que nublado. Quase sem ar começamos a questionar. Oscilávamos, em questões de segundo entre entrar ou não entrar na caverna.
Por fim, mais uma tentativa.
Andamos desta vez uns quatro passos talvez e tateando no escuro identificamos que existia uma entrada à esquerda, que dava para passar, e que um pouco mais adiante, à direita existia uma espécie de oco, pequeno e junto ao chão, ficamos em dúvida sobre o que fazer, e estávamos ainda sobre o frenesi das dúvidas. O espírito do guerreiro estava abalado e naquelas circunstâncias não tínhamos energia suficiente para aquela jornada. Decidimos abandonar a empreitada e retornamos mais uma vez. desapontados conosco mesmos.
Estávamos decididos a aceitar a derrota quando imediatamente aparece uma mulher com trajes locais, e sua cesta com imagens, colares, gorros e toda a parafernália que vendem para os turistas.
Era muito estranho que no meio do complexo arqueológico víssemos uma vendedora local. Normalmente elas se amontoam na entrada das ruínas, mas dentro das mesmas é quase impossível ver algum vendedor. Esta vinha caminhando confiante, como se soubéssemos que estávamos ali naquele recanto que não podia ser visto de nenhum outro lugar. Nos olhava sorridente e antes que pudesse dizer algo Ka advertiu que ela nao podia estar ali por acaso e que deveríamos conversar com ela.
Ela chegou nos oferecendo uma escultura de pedra na forma de um puma. Sugestivo que a primeira coisa que nos oferecesse fosse justamente o animal que simboliza a fortaleza, a força, a coragem, e um animal que sabe ver no escuro.
perguntamos a ela se ela já havia atravessado a “chincana” e ela confiante disse que sim, que era muito pequena e simples e que nào havia maneira de errar o caminho, deveríamos nos manter à esquerda, sempre tateando a paree e iríamos sair indubtavel e indelévelmente do outro lado.
Sua voz era doce e suave, seu sorriso apesar de largo era confiante, nos incitava a ir adiante.
Senti que deveria comprar seu puma, ele me daria a coragem e a visão para atravessar as profundezas do meu próprio ser e ir adiante no caminho escuro que se abria à minha frente.
Confiante tomei a dianteira. Ka se segurou à minha blusa e seguimos chincana a dentro. Eu era outra pessoa, ou melhor dizendo outro ser. Meus pés se moviam de forma precisa, leve e suave. embora nao visse nada à minha frente meus olhos estavam abertos e minha coluna, arqueada por causa da altura da gruta, estava viva, eriçada, pronta.
Continuei caminhando com total segurança em mim mesmo e alguns metros adiante já podia ser a silhueta das pedras. Alguns passos mais e uma luz no fim do túnel, com perdào do trocadilho. Poucos metros adiante e estava eu e ka no enfiteatro enorme que servia de recepção aos que ultrapassavam a chincana.
Sentíamo-nos fortes, vitoriosos, livres e iluminados pela vida.
Estávamos em silêncio.
Como se uma mola tivesse desatado instantaneamente retornamos à chincana e fizemos o caminho reverso, desta vez parando no meio para sentir a escuridão, fazer as pazes com ela e sentir como se se estivéssemos, e estávamos, no útero da grande mãe terra.
Saímos do outro lado para agradecer à nossa amiga oportuna mas ela nào estava mais lá. Corri para procurá-la e agradecê-la mas ela tinha desaparecido. Subi algumas pedras para vistar ao longe e nõa havia rastros de sua pessoa. Não sabia como iria agradecer a ela a força que nos havia dado naquele momento, e como me sentia bem de ter seguido a intuição de Ka e o incentivo dela.
Rsolvemos passar mais uma vez pela chincana, retornando ao anfiteartro apra de lá seguirmos para novos locais em Sacksaywaman.
Chegando ao outro lado um grupo de turistas aguardava para entrar na chincana. Deviam ser mais ou menos 15 pessoas, norte americanas pela cor de pele e sotaque inglês característico.
Ao passar pela penúltima pessoa ouvi ela dizer: “Isso vai tomar tudo o que eu tenho. não sei se conseguirei.”
Minha reaçào foi imediata, era claro o que eu deveria fazer. Agradecimento à moda xamanica, ou seja, devolver para outra pessoa o beneficio recebido e assim criar uma corrente do bem. Sorri para ela e perguntei diretamente se estava com medo.
Antes que ela respondesse estendi o puma para ela e disse: “eu estava morrendo de medo, e este animal me ajudou a atravessa a escuridào. Ajudará você também. Tome!”
No estilo americano de ser ela respondeu: “Quanto é?”
Sorri para ela e disse que eu era tào turista quanto ela, e antes que seu racional pudesse tomar a dianteira me afastei dizendo para ela ter coragem.
Fomos para o lado oposto do anfiteatro. Ali haviam alguns altares que estavam completamente vazios, e nos parecia muito convidadtivos. Sem dizer uma palavra encontramos lugares apropriados e ficamos em meditaçào por alguns breves minutos, interiorizando a experiência recém adquirida.
Era um local e um tempo de poder, mágicos, plenos.
Após alguns momentos resolvemos ir a outros lugares do complexo e passamos perto da saída da chincana. Há uns 20 metros dali vi uma pessoa abanando as mãos com alguma coisa nelas para mim. Era a turista americana, esatav feliz, radiante, viva. Seu corpo e sua alma brilhavam de alegria. ela gritava algo que depois entendi como sendo “Thank you!, Thank you”! e fazia um sinal de reverência com as mãos juntas, como quando estamos rezando, ou à maneira budista.
Sabia o que ela estava sentindo. Não quis me aproximar para que ela não perdesse o momento com agradecimentos e explicações, e nem quisesse me devolver o puma. Acenei de volta, agradeci ao universo e a ela por ter me dado a oportunidade de retribuir o favor, e mentalmente pedi a ela que passasse aquela coragem adiante.
Saímos de Pisac super atrasados para nosso encontro com Mestre Francisco. Ka ia à frente com o motorista do táxi, frederico, valéria e dani no banco de trás, e eu no bagageiro.
Pensava em dormir um pouco porém uma a uma foram surgindo as montanhas sagradas, ou Apus, do vale do rio Vilcanota. Encobertas com neve no topo e quase sem nenhuma vegetaçao exalavam uma aura de mistério, fascínio e convite que eram quase irresistíveis.Várias fotos retiradas de dentro do carro na emoçao do momento e e no frenezi das buzinadas do carro. Os motoristas peruanos, espcialmente os de táxi, comprendem a buzina como algo fundamntal para o funcionamento do carro, bem como o acelerador embreagm combustível. Este nao fugia à regra e buzinava para pessoas que estavam nas calçadas e numa área da estrada que estava sendo recapeada buzinou para todos os buracos, pois nao havia animais ou pessoas em volta. Provavlmnt queria qu os buracos fossem ao acostamento ou estava penas se certificando que nao iriam mover-se entrar bruscamente sob os pneus.
Chegamos na praça principal da cidade de Ollantaytambo por volta das 3 da tarde, e como se houvéssemos combinado Mestre Francisco estava caminhando em nossa direçao.
Nos saudou como sempre alegremente nos disse que o momento era perfeito, e que o atraso nao era problema algum. Nos apressou para que entrássemos ao complexo arqueológico e nos levou imediatamente a uma fonte praticamente isolada do restante do complexo. Neste momento, como que num passe de mágica nao havia qualquer vigilante do parque arqueologico. Ele saltou a corda que impedia os turistas de chegarem até a fonte e começou a explicar que aquela fonte era uma espécie de eixo do império inca, ou em suas palavras umbigo, e que a partir dali saiam os raios nergéticos que se conectavam com todo o antigo império. nos explicou que nosdias de equinócio um jogo de luz sombras faziam com que a figura de um sacerdote inca aparecesse com as maos m concha a colher a água da fonte e por isto l considerava aquele local a porta de entrada ao universo inca.
Neste momento pediu a Panchito, seu filho de 8 anos que nos acompanhava e que havia se juntado a nos no caminho entre a praça e o complexo arqueológico, que lhe desse as ¨chacanas¨. Chacanas sao as chamadas cruzes escalonadas do império inca e que sao utilizadas comumnte nos dias de hoje como amuletos. Nos disseque eram chacanas feitas de pedra serpentina vindas da proximidade de Machu Picchu e que ele as dava a quem se iniciava no conhcimento do caminho inca. Mergulhou-as na fonte e ali as deixou enquanto passou a mao na água, na partede cima da fonte, e impressionantemente a água deixou de cair como m uma cachoeira e passou a simplesmnt escorrer colada á pedra, sem fazer barulho algum. era impressionante que a água pudesse mudar seu comportno com um simples toque de dedo.
Ordenou-me asaltar a corda em colocar m posiçao fetal na fonte me apoiando em duas protuberancias da rocha que a compunha. Em seguida com mais um toque na água a mesma voltou a jorrar caudalosa e cobiu toda a minha nuca e cabeça dando uma sensaçao de limpeza, alivio e frescor. Mestre Franscico entao me disse para lvantar todo o corpo de uma vez, jogando a água para trás da cabeça.
Pegou minha mao direita e estendeu-a até a fonte. Novamente tocou a água e esta trocou seu fluxo de queda para escorrimento. pegou uma das chacanas que estavam dentro da pia da font e passando-a sobre minha mao estendida trouxe-a de volta à pia. em seguida tocou a água e estava voltou a jorrar. estendeu minh mao esquerda que dentro do jorro de água recebeu a chacana. Colocou-a em meu pescoço e ollhando-me fixa e alegremnt declarou: Amaru Runa, Homem de Sabedoria. Deu um longo e caloroso abraço, virou-se para Ka e pediu que anotasse o nome seu significado. Nao estava entendendo o que acontecia e entao Ka me explicou que eu havia ganhado um novo nome, e que dentro da tradiçao andina eu nao mais me chamava Allan, mas sim, Amaru Runa. Explicou também que a palavra Amaru poderia ser tanto utilizada como sabedoria como para serpente, pois em realidade a serpente tanto na mitologia inca como em muitos outras no mundo era considerada o símbolo da sabedoria. Comentou que seu próprio nome em língua inca, o quéchua, era Amauta Runa, que significa homem sábio, ou professor, e que a proximidade fonética e semantica de nossos nomes indicava uma complementaridade, ou irmandade.
O mesmo ritual se sucedeu com Frederico e Valéria e depois fomos visitar as ruínas do complxo arqueológico. No caminho vimos alguns altares dedicadosao condor e à Lhama além de vermos que todo o complexo arqueológico possui a forma estilizada de uma Lhama, ou Alpaca.
Mestre Francisco ntao nos convidou para iraté sua casa e acrescentou que no dia postrior ao Solstício de Inverno iríamos fazer uma cerimonia no alto Ollantaytambo. Justamente onde deveria se encontrar o cérebro da grande Alpaca, que era o local, no complexo arqueológico e na cidade, que primiro era brindado pelos raios de sol neste dia específico.




A mitologia andina fala de três mundos, e a a eles associados existem 3 animais sagrados, a serpente, o puma e o condor que respectivamente simbolizam o mundo subterraneo, a terra e a sabedoria, o mundo intermediário onde vivem os homens e a fortaleza, ou força de vida, e o mundo celestial, do espirito e da pureza.
Numa das curvas do caminho podia-se avistar uma imensa montanha cuja silhueta se assemelhava as costas de um imenso condor de asas abertas. Em seu topo as ruínas de Pisac, um templo no inicio do Vale sagrado dos incas, o vale do rio vilcanota e que se dedicava à produçao de alimentos em seus inumeros terraços de plantaçao que volteiam a montanha, a guardar o inicio do vale sagrado, ao culto ao Sol e ao elemento do Ar, ao culto aos antepassados e centro da energia básica, sexual, ou essencial do ser humano.
Vejamos cada uma destas facetas. A produçao e distribui´cao de alimentos no imperio inka atingiu o apogeu mundial e nunca foi igualada. este reino gaba-se de ter sido o unico no planeta a ter erradicado completamente a fome dentro de suas fonteiras, mesmo lidando com condiçoes geograficas e climaticas extremas. (veja mais detalhes históricos no livro ¨A ciencia sagrada dos Incas, Wanderson Ribas Ka, Editora Madras, 2008¨).
Outra de suas peculiaridades era cultivar a multidisciplinaridade, ou em palavras mais simples, utilizar uma coisa para várias funçoes. Portanto o local prestava-se a produçao de alimentos mas também estava localizado em uma regiao estrategica onde podia-se guardar a entrada do vale sagrado, assim proteger seus tesouros fisicos e espirituais.
Por ser o inicio deste vale que representa a via láctea espelhada na crosta terrestre e também se relaciona com a coluna vertebral Pisac possui a energia do chácra básico.
Curiosamente quando chegamos a um des seus pequenos recantos vimos algumas fontes para purificaçao e que estavam localizadas de frente ao que seria o pescoço do condor. Nesta área de montanha encontrava-se uma escarpa, dedicada ao culto aos ancestrais e que abrigava no passado a tumba de inúmeros seres humanos que por aqui passaram e deixaram sua contribuiçao.
A açao imediata era obvia, nos purificamos nas fontes, nos sentamos voltados para o oeste, direçao do poente, e que era exatamente onde se encontrava a montanha dos ancestrais. Cada um iniciou sua meditaçao agradecendo a seus antepassados de sangue e de espírito, e tambem agradecendo aquelas inúmeras pessoas anonimas que tornaram possivel que nos hoje disfrutassemos deste local.
Em seguida descemos por uma trilha íngreme e parando em cada Huaca, ou local sagrado que encontramos. Ali faziamos nossas meditaçoes, nossas preces, de acordo com a energia do lugar, com a qualidade que sentiamos naquele ponto.
Chegando ao sopé da montanha entramos em um grande mercado artesanal onde comidas, bebidas e roupas multicoloridas se misturavam as incriveis peças de jóias em prata, fruto de séculos de tradiçao andina em trabalhos com metais preciosos.
Apesar da vontade de comprar tantas quinquilharias quanto possível tivemos que tomar um taxi imediatamente pois Mestre Francisco nos aguardava em Ollantaytambo, cidade mais acima no Vale Sagrado dos incas e sede de um dos maiores complexos arqueológicos do Peru.







A estrada serpenteava pelas montanhas e chegou um momento que pensei que jamais acabaria. Subia, subia e subia girando às vezes 180º.
Chegamos a um platô já perto do céu e o som era de água que provinha de uma queda artificial logo próximo a uma escada. O barulho era intenso e presente, embora nao fosse ensurdecedor. Porém espantosamente ao subir as escadas e passar após a cascata seu barulho já nao se ouvia. Em seu local o ruído fluido e calmo de águas correntes e quase silenciosas.
Imansos e largos terraços de plantaçao se descortinavam como campos de futebol dispostos pelo pequeno vale incrustrado no alto da montanha.
Em um segundo estávamos eu, Ka e sua esposa Daniela, Mestre Francisco, Valéria, irma de Dani e Frederico, um grande amigo que nos encontrou de ultma hora. Em frente a uma fonte de água cristalina que deacordo com Mestre Francisco vinha do degelo das neves de uma montanha sagrada, ou Apu, próxima.
Antes de nos banharmos na fonte pedindo pureza e limpeza M. francisco pegou sua garrafa de água e depejou seu conteúdo sobre uma pedra, explicando que como iríamos nos beneficiar da agua daquele local, nada mais justo que déssemos uma reciprocidade, e explicou que a escolha de usar o próprio elemento em plena abundancia naquele local era no sentido de que houvesse abundancia de água naquele lugar e que a mesma jamais faltasse.
Em seguida caminhamos em silencio e paramos em frente a uma fonte quádrupla, ou seja, que possuia quatro quedas dágua. M. Francisco explicou alguns detalhes do manejo hidráulico dos incas e como eles sistematizavam a irraga´cao daqueles terra´cos que provavelmente seriviam-se à plantaçao de ervas medicinais e nao á produ´cao de alimentos.
A fonte era esplendorosa e fazia um ruído autentico e impossivel de nao se notar.
Retirei meus sapatos e senti a erva do chao. Era macia e aconchegante, senti que deveria ter feito aquilo a mais tempo, M. Francisco me olhou e meneou a cabeça em tom de aprovaçao, em seguida disse a todos, porém eu pesquei o recado pessoal: A los que caminan descalzoz no sigan los caminos que hace la gente, caminen por la yerba.
Sugestao mais que aceita subimos alguns patamares e encontramos a fonte das fontes, o local de onde a água saia da montanha, guiada por algum canal subterraneo misteriosamente feito pelos inkas para trazer a água desde a montanha gelada até aquele local.
Esta fonte era cristalina e sua água saia com uma calma quase imperceptível. o lugar emanava tamanho silencio e paz que imediatamente nos sentamos e nos mesclamos com aquela mansidao eterna.
Após alguns segundos de silencio o local nos levava a uma paz interior que eu jamais havia sentido na minha vida. Nao possuia qualquer vontade ou intençao de sair dali, queria manter aquela paz por pelo menos 1000 anos, possivel data de existencia daquele local. Saber que um local como este, chamado Tipon, e que era um templo dedicado à fonte da vida existia a tanto tempo e que ainda guardava, a despeito de todas as iniquidades humanas, tamanha paz e amplidao me preenchiam de uma alegria imensa e de uma crença de que o belo e o bom, de que o trabalho da luz e do bem é mais forte que tudo e que há esperança, sempre.
No hotel à noite me encontrei com Ka que muito contente me apresentou um senhor moreno como todos os peruanos, estatura mediana, com um grande sorriso no rosto. Mestre Francisco foi como Ka o introduziu.
Ka já havia me falado deste senhor e como houvera se tornado seu discípulo na tradição do conhecimento andino.
fiquei muito contente de conhecê-lo e ainda mais de receber seu convite, que era acordarmos antes do sol nascer e ir verificar como se davam os alinhamentos astronomicos nas ruínas de Quenco nos dias próximos ao Solstício de Inverno.
E justamente Quenco por onde passei grande parte do dia e havia tido experiências incríveis!
Ao comentar sobre a coincidência Mestre francisco respondeu com uma frase que eu o ouviria repetir inúmeras vezes pelos dias que se seguiriam: Esto no es una casualidad, si no parte de una causalidad.
Mestre Francisco gostava de jogos de palavras e seus significados subliminares, e eu achava interessante acompanhar seus raciocínios rápidos.
De pé as 4 da manhã fomos ver os alinhamentos em cusco. E chegando lá núvens por todos os lados! O sol nem queria dar o ar da graça e sua luminosidade já se podia ver. Já estava um pouco triste, juntamente com Ka, Mestre Fancisco e sua filha, e demias pessoas que compunham o grupo.
De um segundo para o outro as nuvens se dissiparam e os raios do Sol bateram numa pedra, que por sua vez projetou uma sombra no formato da cabeça de um felino. Se acompanhasse o possível olhar deste felino encontrava uma pedra em formato rústico de um coração.
Sempre havia lido e ouvido falar das formas criadas pelos Inkas através de pedras e alinhamentos astronomicos, mas a emoção de ver um deles acontecendo justamente à minha frente foi indescritível.
À medida que o sol subia no céu a sombra ia se desconfigurando até nao mais se parecer com um felino, ou o Puma, com o qual este felino mítico é associado.
Depois mestre francisco esplicou que o Puma é o símbolo da fortaleza, e que ao saír com o sol, despertando o local e as pessoas que nele se encontram ele trás uma mensagem de que devemos ser fortes internamente, ser fortes em nossas intenções, sentimentos e ações.
“Por isto, pon fortaleza, pon fortaleza!”
Depois que Jorge me deixou ali sem saber o que fazer com o Urso e a Chakana decidi deitar-me nas costas largas do animal e tirar uma soneca.
Sonhos estranhos, que nao me lembro bem depois de acordar. Por fim, minha perna nao doía mais e minha pele já estava ardendo com o Sol. Levantei e decidi explorar um pouco mais Quenco Chico. Rapidamente encontrei uma pedra em formato losangular que muito se assemelhava à constelaçao do Cruzeiro do Sul. Mais adiante encontro tres buracos no chao com uma distancia e inclinaçao que se pareciam muito à do cinturao de Órion, ou Tres Marias como as conhecemos vulgarmente.
A forma nao linear em que as pedras estao dispostas sao um grande desafio a quem nao é um Inka iniciado naqules mistérios, mas deixei que minhas sensibilidade me guiasse e pedi à Terra e aos antepassados que me protegessem e me guiassem pelo local, e caso eu fosse digno, que eu pudesse conhecer algo do que ali deve ser feito.
Esta é uma fórmula mágica para lugares de poder, ter respeito, humildade, pedir licensa, proteçao e ajuda. O lugar se abre como uma flor, pois todos os lugares de poder, por mais antigos que sejam, estao vivos, querem interatuar com as pessoas pois foram criados para auxiliar a humanidade a desenvolver-se em todos os niveis.
Finalmente encontrei um local que me era querido e ali sentei, fechei os olhos e imediatamente me senti sobre as nuvens, imenso como um super gigante olhando de cima os picos nevados e montanhas e vales da cordilheira dos andes. Minha consciencia era do tamanho da consciencia dos deuses e podia observar toda a vida de uma perspectiva muito ampla.
Abri os olhos e observei que todas as pedras à minha volta possuiam terminaçoes que se assemelhavam aos picos que estavam à minha volta. De repente passei a ver o local onde eu estava como uma imensa maquete das montanhas e lugares sagrados. Era como se num fractal, pudesse elevar minha consciencia ao diminuir o mundo a minha volta. Levantei-me e passei a investigar as pedras sob este ponto de vista. Antes suas reentrancias e suas saliencias pareciam ser formas naturais, esculpidas pelo tempo, pela agua ou pelo vento. Mas diante daquela sensaçao de que estava em uma grande maquete tive a completa certeza que todas aquelas pedras haviam sido esculpidas em seus minimos detalhes.
Podia observar em alguns lugares a réplica identica de montanhas ao redor.
Me sentndo assim tao grande resolvi deixar o complexo e seguir montanha acima. Após alguns minutos de caminhada encontro uma outra massa enorme de pedras também em formatos nao convencionais. Como se conhecesse o caminho me dirigi a uma reentrancia na rocha que levava a uma pequena passagem subterrranea, ali uma escada leva a um local em formato de fenda ainda mais profundo dentro da terra.
Ao chegar ao fundo imediatamente já me sentia mais forte e mais compacto, vi a maestria dos Inkas ao colocarem um local onde podemos nos compactar logo após uma experiencia mistica, ou se fizesse o caminho contrário, como ter a base forte e segura para poder se lançar as alturas celestes.
Despois vim a saber que este local era Quenco, uma ruína muito famosa por alguns motivos que escreverei em outro artigo.
Esperando uma possibilidade de visitar Quenco Chico durante à noite para verificar seus alinhamentos, me pus a caminhar novamente na estrada de asfalto desta vez em direçao a Pukapukara e Tambomachai, ruínas Inkas a cerca de 10 Km dali. E o caminho era belo!
Em pukapukara encontrei uma fortaleza muito interessante mas sem experiencias dignas de nota.
Ao entrar em Tambomachai jà me sentia cansado da caminhada, do sol e da falta de comida. Provavelmente já estava no meio da tarde e os vales continuavam se estendendo por todas as partes.
pelo cainho de terra a cada passo que dava era como se mais e mais mundos subissem às minhas costas. ficava cada vez mais pesado e mais cansado.
Ao fim do caminho havia uma fonte com uma queda de água em uma altura e duas em um patamar mais baixo, que quando as observamos de frente fomam uma espécie de triangulo.
Cordas proibiam a chegada até a água e um grupo de japoneses de idade mais avançada estavam chegando ruidosos e fotográficos como sempre. Procurei uma pdera à sombra e me despenquei. Minha sensaçao é que estava me transformando em uma daquelas pedras e ficaria ali, imóvel, por milhares de anos.
De onde estava observava o grupo asiático. Eram cerca de 20 pessoas. Cada uma delas tirou foto sozinha na fonte. Depois todas as mulheres se juntaram e a foto colotiva. Em seguida o clube do bolinha fez sua foto. Neste momento chegava uma senhora mais velha que havia ficado para trás e entao mais uma sessao de fotos.
Por fim, quando já se distanciavam um pouco da fonte algo em mim fez meu corpo levantar, caminhei resoluto em direçao á fonte, me ajolhei, levantei a corda que impedia o contado com a água e molhei cabeça, nuca maos e boca.
Era uma fonte mágica. imediatamente parecia que tinha acabado de acordar. estava feliz, leve, tranquilo e bem disposto. Nao podia imaginar como poderia estar me sentindo tao cansado a menos de um minuto atrás.
Agradeci ao local a bençao recebida, e em hora muito apropriada e comecei a fazer meu caiminho de volta.
Para trás deixei o grupo de japoneses que gostando da minha audácia resolveram fazer o mesmo e já formavam uma educada fila. Como eu amo a existencia de lugares como o Peru e de pessoas como os japoneses!
Fazia frio e fazia Sol na Praça das Armas de Cusco. Crianças ensaiavam danças para a Festa do Sol a acontecer na semana que vem, dia 24, a famosa Inty Raymi. Depois de algumas fotos e filmagens que querendo o Pai Celestial devo colocar em breve por aqui, subi caminhando até Sacksawaman. Pedras incríveis formam muros igualmente espetaculares. E numa quantidade tao grande que depois de algumas horas começamos a achar normal que aqueles monolitos tao imensos e cortados de forma tao perfeitamente irregulares existam por toda parte. Creio que somente daqui ha alguns meses me darei conta realmente da grandiosidade do trabalho do Império Inca.
Alguns lugares interessantes do ponto de vista energetico, mas nada que me chamava a atençao. Porém a estrada que por ali passa me chamava, e eu sentia uma ansiedade de caminhar por ela. Sem terminar a visita a Sacksawaman comecei a caminhar e após uns 10 minutos vi uma entrada para uma estrada de chao, ali seguindo no meio de um eucaliptal que me saudava com o vento a farfalhar suas folhas avistei algumas ruinas cujas pedras tinham uma coloraçao azulada. era como uma construçao da europa medieval, parecia ter um fosso e depois deste os muros com as já famosas pedras irregulares. Entrei neste local e senti que minha consciencia se expandia sobremaneira. Era como se meus pés saltassem em direçao ao Céu.
Do meio do Nada um jovem aparece um pouco abaixo no meio das ruinas.
Tinha o cabelo negro liso, como todos os peruanos, uma aparencia leve e uma blusa de lá tao azul quanto o céu. Gesticulando apressandamente me disse: Venha Señor, aqui hay una piedra que tine el Oso, has visto el Oso?
Nao entendia o que ele queria dizer, Oso é Urso em espanhol, mas nao fazia sentido e pensei que talvez nao estivesse compreendendo o que ele dizia. Fiquei parado olhando para ele, e tambèm pensando que seria mais uma das inúmeras ofertas de guia, ou de venda de artigos turisticos que já havia encontrado aquela manha. Como se meus pensamentos fossem palavras ele respondeu: No te voy a cobrar nada, venga, rápido!
Sua frase tao confiante destruiu minha hesitaçao e desci a pequena colina correndo tao rápido quanto minha perna ainda dolorida da contusao na semana passada me permitiam.
Acompanhei-o até uma espécie de mesa de pedra que termina uma sequencia de grandes estruturas líticas. Ele me mostrou um buraco em forma de elipse, mais ou menos do tamanho de um palmo. Estava semi cheio com água suja, provavelmente da chuva.
Em voz viva porém apressada me disse que aquela elipse estava orientada ao sudoeste, direçao exata onde a constelaçao do cruzeiro do sul saia no horizonte em torno da época do solsticio de inverno. e que aquela depressao na rocha servia para que, pela noite, se preenchesse com água e pudesse utiliza-la como uma espelho do cruzeiro do sul, ou Chacana, seu nome inka, e assim utiliza-la astronomicamente ou para fins rituais.
Depois foi mostrando que aquele espelho estava protegido por uma pedra cuja forma era a silhueta de um urso. E com um grande sorriso nos lábios perguntou olhando-me profundamente nos olhos: E porque un Oso? Acá no hay osos!
Me esplicou que o império Inka se estendia até o país que atualmente chamamos de Equador, e que de lá se pode avistar a constelaçao da Ursa Maior e concluiu dizendo:
- Portanto la Constelacion de la Osa proteje a la Chakana. Y mira, aí arriba hay un trono, donde se equilibra la tierra para que no haya sismos. Me gustaria enseñarte todo, pero tengo prissa y me voy! Quenco Chico se llama este lugar.
E assim como chegou saiu correndo, gritei a ele que estava muito agradecido e perguntei seu nome.
Correndo virou seu rosto para trás e totalmente iluminado pela luz do dia me respondeu: Jorge!
Fiquei ali parado, olhando a figura daquele filho do Sol desaparecer no meio dos eucaliptos encosta abaixo.
Brancas. As nuvens eram todas brancas vistas pela janela do aviao e ocupavam todo o horizonte. Eu já aflito buscava ver alguma ponta de montanha cortando as alturas, ou um clarao nas nuvens que me mostrasse a mítica cordilheira dos andes.
Escondida sob o manto de vapor d`água ela se mantinha ainda mística.
De repente acordo sobressaltado de um cochilo. Olho a janela e o vapor rapidamente se condesava em picos brancos nevados, e estes em menos de um minuto se transformam em àgua líquida. Acho que sonhava, mas de repente as nuvens desapareceram e os picos que contornam o lago Titicaca se mostram em todo seu esplendor.
Que maravilha aquelas muitas escarpas quase tocando o céu e o aviao. Um pouco de medo ver as montanhas ali tao próximas. Mas de tao apaixonado que estava nao consegui mais desgrudar os olhos dos picos e do imenso lago que servia de pano de fundo ao nosso voo, por mais ou menos uns 15 minutos.
Entramos novamente nas nuvens, pousamos em Lima e outra vez saímos das nuvens para o mundo de montanhas sem fim. Após uma aterrisagem espetacular por entre as montanhas com direito a uma curva em descida de 180 graus encostamos os pés em Cusco. Capital do Império Inca por muitos anos e encravada num vale de luz maravilhosa. Fiquei tao embevecido que nao sai do lugar. fui o ultimo a deixar a pista de pouso.
A altitude, tao falada, nao teve seu efeito sobre mim, talvez porque já no aviao aceitei o chá de folhas de coca, talvez porque eu estava enamorado daquelas montanhas e respirava mais, ou melhor, suspirava.
Depois dos procedimentos normais de hotel fui diretamente ao Koricancha, local onde se situava importante templo Inca dedicado ao Sol, e que hoje abriga a igreja de Santo Domingo.
Em seu centro um pátio com uma fonte, rodeado por ruinas incas. Aproximei-me em silencio da fonte, vi que dela podia chegar ao coraçao de Pachamma, a mae terra. Pedi luz, proteçao e conhecimento para esta viagem, para mim e a todos os que irao estar comigo pelos proximos 14 dias.
Abençoado e feliz, trotei pelos mundos incas.