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Peru - El Oso

Fazia frio e fazia Sol na Praça das Armas de Cusco. Crianças ensaiavam danças para a Festa do Sol a acontecer na semana que vem, dia 24, a famosa Inty Raymi. Depois de algumas fotos e filmagens que querendo o Pai Celestial devo colocar em breve por aqui, subi caminhando até Sacksawaman. Pedras incríveis formam muros igualmente espetaculares. E numa quantidade tao grande que depois de algumas horas começamos a achar normal que aqueles monolitos tao imensos e cortados de forma tao perfeitamente irregulares existam por toda parte. Creio que somente daqui ha alguns meses me darei conta realmente da grandiosidade do trabalho do Império Inca.

Alguns lugares interessantes do ponto de vista energetico, mas nada que me chamava a atençao. Porém a estrada que por ali passa me chamava, e eu sentia uma ansiedade de caminhar por ela. Sem terminar a visita a Sacksawaman comecei a caminhar e após uns 10 minutos vi uma entrada para uma estrada de chao, ali seguindo no meio de um eucaliptal que me saudava com o vento a farfalhar suas folhas avistei algumas ruinas cujas pedras tinham uma coloraçao azulada. era como uma construçao da europa medieval, parecia ter um fosso e depois deste os muros com as já famosas pedras irregulares. Entrei neste local e senti que minha consciencia se expandia sobremaneira. Era como se meus pés saltassem em direçao ao Céu.

Do meio do Nada um jovem aparece um pouco abaixo no meio das ruinas.
Tinha o cabelo negro liso, como todos os peruanos, uma aparencia leve e uma blusa de lá tao azul quanto o céu. Gesticulando apressandamente me disse: Venha Señor, aqui hay una piedra que tine el Oso, has visto el Oso?

Nao entendia o que ele queria dizer, Oso é Urso em espanhol, mas nao fazia sentido e pensei que talvez nao estivesse compreendendo o que ele dizia. Fiquei parado olhando para ele, e tambèm pensando que seria mais uma das inúmeras ofertas de guia, ou de venda de artigos turisticos que já havia encontrado aquela manha. Como se meus pensamentos fossem palavras ele respondeu: No te voy a cobrar nada, venga, rápido!

Sua frase tao confiante destruiu minha hesitaçao e desci a pequena colina correndo tao rápido quanto minha perna ainda dolorida da contusao na semana passada me permitiam.

Acompanhei-o até uma espécie de mesa de pedra que termina uma sequencia de grandes estruturas líticas. Ele me mostrou um buraco em forma de elipse, mais ou menos do tamanho de um palmo. Estava semi cheio com água suja, provavelmente da chuva.

Em voz viva porém apressada me disse que aquela elipse estava orientada ao sudoeste, direçao exata onde a constelaçao do cruzeiro do sul saia no horizonte em torno da época do solsticio de inverno. e que aquela depressao na rocha servia para que, pela noite, se preenchesse com água e pudesse utiliza-la como uma espelho do cruzeiro do sul, ou Chacana, seu nome inka, e assim utiliza-la astronomicamente ou para fins rituais.

Depois foi mostrando que aquele espelho estava protegido por uma pedra cuja forma era a silhueta de um urso. E com um grande sorriso nos lábios perguntou olhando-me profundamente nos olhos: E porque un Oso? Acá no hay osos!

Me esplicou que o império Inka se estendia até o país que atualmente chamamos de Equador, e que de lá se pode avistar a constelaçao da Ursa Maior e concluiu dizendo:

- Portanto la Constelacion de la Osa proteje a la Chakana. Y mira, aí arriba hay un trono, donde se equilibra la tierra para que no haya sismos. Me gustaria enseñarte todo, pero tengo prissa y me voy! Quenco Chico se llama este lugar.

E assim como chegou saiu correndo, gritei a ele que estava muito agradecido e perguntei seu nome.

Correndo virou seu rosto para trás e totalmente iluminado pela luz do dia me respondeu: Jorge!

Fiquei ali parado, olhando a figura daquele filho do Sol desaparecer no meio dos eucaliptos encosta abaixo.

quanqochicourso1 - quanqochicourso1

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