Jun 20th, 2008
Peru 2008 - O templo das águas
A estrada serpenteava pelas montanhas e chegou um momento que pensei que jamais acabaria. Subia, subia e subia girando às vezes 180º.
Chegamos a um platô já perto do céu e o som era de água que provinha de uma queda artificial logo próximo a uma escada. O barulho era intenso e presente, embora nao fosse ensurdecedor. Porém espantosamente ao subir as escadas e passar após a cascata seu barulho já nao se ouvia. Em seu local o ruído fluido e calmo de águas correntes e quase silenciosas.
Imansos e largos terraços de plantaçao se descortinavam como campos de futebol dispostos pelo pequeno vale incrustrado no alto da montanha.
Em um segundo estávamos eu, Ka e sua esposa Daniela, Mestre Francisco, Valéria, irma de Dani e Frederico, um grande amigo que nos encontrou de ultma hora. Em frente a uma fonte de água cristalina que deacordo com Mestre Francisco vinha do degelo das neves de uma montanha sagrada, ou Apu, próxima.
Antes de nos banharmos na fonte pedindo pureza e limpeza M. francisco pegou sua garrafa de água e depejou seu conteúdo sobre uma pedra, explicando que como iríamos nos beneficiar da agua daquele local, nada mais justo que déssemos uma reciprocidade, e explicou que a escolha de usar o próprio elemento em plena abundancia naquele local era no sentido de que houvesse abundancia de água naquele lugar e que a mesma jamais faltasse.
Em seguida caminhamos em silencio e paramos em frente a uma fonte quádrupla, ou seja, que possuia quatro quedas dágua. M. Francisco explicou alguns detalhes do manejo hidráulico dos incas e como eles sistematizavam a irraga´cao daqueles terra´cos que provavelmente seriviam-se à plantaçao de ervas medicinais e nao á produ´cao de alimentos.
A fonte era esplendorosa e fazia um ruído autentico e impossivel de nao se notar.
Retirei meus sapatos e senti a erva do chao. Era macia e aconchegante, senti que deveria ter feito aquilo a mais tempo, M. Francisco me olhou e meneou a cabeça em tom de aprovaçao, em seguida disse a todos, porém eu pesquei o recado pessoal: A los que caminan descalzoz no sigan los caminos que hace la gente, caminen por la yerba.
Sugestao mais que aceita subimos alguns patamares e encontramos a fonte das fontes, o local de onde a água saia da montanha, guiada por algum canal subterraneo misteriosamente feito pelos inkas para trazer a água desde a montanha gelada até aquele local.
Esta fonte era cristalina e sua água saia com uma calma quase imperceptível. o lugar emanava tamanho silencio e paz que imediatamente nos sentamos e nos mesclamos com aquela mansidao eterna.
Após alguns segundos de silencio o local nos levava a uma paz interior que eu jamais havia sentido na minha vida. Nao possuia qualquer vontade ou intençao de sair dali, queria manter aquela paz por pelo menos 1000 anos, possivel data de existencia daquele local. Saber que um local como este, chamado Tipon, e que era um templo dedicado à fonte da vida existia a tanto tempo e que ainda guardava, a despeito de todas as iniquidades humanas, tamanha paz e amplidao me preenchiam de uma alegria imensa e de uma crença de que o belo e o bom, de que o trabalho da luz e do bem é mais forte que tudo e que há esperança, sempre.
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