Jun 20th, 2008
Peru 2008 - A montanha do Condor
A mitologia andina fala de três mundos, e a a eles associados existem 3 animais sagrados, a serpente, o puma e o condor que respectivamente simbolizam o mundo subterraneo, a terra e a sabedoria, o mundo intermediário onde vivem os homens e a fortaleza, ou força de vida, e o mundo celestial, do espirito e da pureza.
Numa das curvas do caminho podia-se avistar uma imensa montanha cuja silhueta se assemelhava as costas de um imenso condor de asas abertas. Em seu topo as ruínas de Pisac, um templo no inicio do Vale sagrado dos incas, o vale do rio vilcanota e que se dedicava à produçao de alimentos em seus inumeros terraços de plantaçao que volteiam a montanha, a guardar o inicio do vale sagrado, ao culto ao Sol e ao elemento do Ar, ao culto aos antepassados e centro da energia básica, sexual, ou essencial do ser humano.
Vejamos cada uma destas facetas. A produçao e distribui´cao de alimentos no imperio inka atingiu o apogeu mundial e nunca foi igualada. este reino gaba-se de ter sido o unico no planeta a ter erradicado completamente a fome dentro de suas fonteiras, mesmo lidando com condiçoes geograficas e climaticas extremas. (veja mais detalhes históricos no livro ¨A ciencia sagrada dos Incas, Wanderson Ribas Ka, Editora Madras, 2008¨).
Outra de suas peculiaridades era cultivar a multidisciplinaridade, ou em palavras mais simples, utilizar uma coisa para várias funçoes. Portanto o local prestava-se a produçao de alimentos mas também estava localizado em uma regiao estrategica onde podia-se guardar a entrada do vale sagrado, assim proteger seus tesouros fisicos e espirituais.
Por ser o inicio deste vale que representa a via láctea espelhada na crosta terrestre e também se relaciona com a coluna vertebral Pisac possui a energia do chácra básico.
Curiosamente quando chegamos a um des seus pequenos recantos vimos algumas fontes para purificaçao e que estavam localizadas de frente ao que seria o pescoço do condor. Nesta área de montanha encontrava-se uma escarpa, dedicada ao culto aos ancestrais e que abrigava no passado a tumba de inúmeros seres humanos que por aqui passaram e deixaram sua contribuiçao.
A açao imediata era obvia, nos purificamos nas fontes, nos sentamos voltados para o oeste, direçao do poente, e que era exatamente onde se encontrava a montanha dos ancestrais. Cada um iniciou sua meditaçao agradecendo a seus antepassados de sangue e de espírito, e tambem agradecendo aquelas inúmeras pessoas anonimas que tornaram possivel que nos hoje disfrutassemos deste local.
Em seguida descemos por uma trilha íngreme e parando em cada Huaca, ou local sagrado que encontramos. Ali faziamos nossas meditaçoes, nossas preces, de acordo com a energia do lugar, com a qualidade que sentiamos naquele ponto.
Chegando ao sopé da montanha entramos em um grande mercado artesanal onde comidas, bebidas e roupas multicoloridas se misturavam as incriveis peças de jóias em prata, fruto de séculos de tradiçao andina em trabalhos com metais preciosos.
Apesar da vontade de comprar tantas quinquilharias quanto possível tivemos que tomar um taxi imediatamente pois Mestre Francisco nos aguardava em Ollantaytambo, cidade mais acima no Vale Sagrado dos incas e sede de um dos maiores complexos arqueológicos do Peru.







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