9 Jul, 2008
PERU 2008 - Viagem ao Centro da Terra
Tá de noite, madrugada e já comecei escrevendo plagiando o Julio Verne. Acho que é porque vi qualquer coisa na internet falando de um possível filme com histórias dele que será lançado, ou relançado. Não sei.
Já voltei da viagem ao peru faz uma semana e pouco, a rotina diária pouco a pouco vai tomando lugar e as lembranças vào ficando cada vez maiores, enquanto as sensações pouco a pouco vão deixando apenas doces e profundas marcas.
Naquela tarde, após os mágicos episódios de sacksaywaman nos dirigimos a Moray. Um complexo arqueológico interessante com seus vários patamares de agricultura em forma circular e que descem em direção ao centro da terra.
O Universo nos havia reservado um pequeno presente, Pablo, o taxista que nos levava era tamb;em um profundo conhecedor da geografia, história e mitologia local. Ao ver nosso contentamento e as perguntas objetivas de ka resolveu pegar um atalho e passar por uma estrada vicinal, de terra, mas que escondia várias vistas maravilhosas do Vale Sagrado dos Inkas. Passamos por um pedágio local e foi interessante saber como as comunidades de agricultores de organizam no Peru. geralmente cultivam pedaços de terra que sào da comunidade e nòa de um indivíduo apenas, e assim dividem trabalho e produção. Naquele caso específico Pablo dizia que somavam a isso a administração da estrada, que embora de terra estava em muito bom estado. Comentava que se deixassem por conta do governo fazer isso jamais conseguiriam trafegar ou mesmo viver adequadamente.
Eu, interessado no que dizia Pablo, mas só de longe. Meu embevecimento contínuo pelas inúmeras vistas deslumbrantes me deixavam um pouco atônito e meio inexperessivo.
Nos mostrou uma Pacarina, ou local de origem. Um lago com uma quietude e uma presença inigualáveis. embora breve o momento que paramos para tirar fotos, aquele local preencheu alguma parte de meu ser que eu mesmo desconhecia e que vinha sedenta de atenção há milênios.
Muitas curvas e vistas depois chegamos a Moray. Eu havia visto fotos que me deixaram ultra intrigado em relação àquele local, mas minha curiosidade era como uma gota de água no oceano frente a grandeza daqueles patamares de agricultura. Era algo sobrehumano pensar como aqueles patamares foram construídos.
Quando começamos a descida descobri, para maior surpresa, que não era apenas um complexo de patamares concentricos, mas 4 deles. De qualquer forma a tarde avançava e nào teríamos tempo para visitar todos, e portanto nos dirigimos ao principal e maior de todos.
As escadas, formadas de pedras que sobressaiam dos muros, eram interessantes de se descer, e às vezes perigosas por serem muito juntas aos muros.
Quando estávamos no penúltimo patamar antes do centro profundo do local, paramos e nos distanciamos e começamos a emitir mantras e sons guturais. era incrível a acústica local e em alguns minutos começamos a sentir algo mais que o som. Uma espécie de onda circular, como as “olas”feitas pelos torcedores em jogos de futebol, passava por nossos corpos a cada 10 segundos, mais ou menos. mesmo depois que paramos de entoar os mantras continuávamos a sentir “la ola”.
Por fim descemos até o patamar mais baixo. Diferentemente da maioria dos complexos arqueológicos que tem em seus patamares apenas grama, este possuia duas plantações, uma arbustiva e outra rasteira. Achamos interessante e imaginamos como seria lindo se todos os patamares ainda fossem hoje cultivados. depois uma análise mais minuciosa nos mostrou que na verdae quase todos os patamares de Moray eram cultivados, somente que naquele dia eles, à exceçào ultimo, estavam sendo preparados para o plantio.
Ka tinha em sua bolsa folhas de coca. Assim como é feito milhares de vezes por dia em todo o Peru, oferecemos, no centro do patamar, as folhas à Mãe Terra, agradecendo em primeiro lugar, e pedindo força, proteção, coragem e fertilidade e abundância na vida, pois aquele local emanava a prosperidade da vida. Nos abraçamos e nos agradecemos pela bela jornada que estávamos empreendendo e pedimos que todas as pessoas que viriam se juntar a nós no dia seguinte tivessem uma boa e segura viagem e que nossos dias juntos fossem de luz, alegria, cerscimento e aprendizado.
Sentindo-nos felizes sentimos uma presença muito sutil mas ao mesmo tempo muito marcante próximo a nós. Procuramos por pessoas ou animais mas estávamos sozinhos no centro daqueles vastos patamares. E foi então que sentimos que a presença vinha dali de perto, da plantação que estava a poucos metros de nós. Nos aproximamos dos vegetais, já secos e identificamos que era uma plnatação de Quinua, ceral nobre e riquíssimo em vitaminas e substâncias necessárias à vida.
A Plantaçào toda era como se fosse uma única entidade que nos acolhia, nos recebia de braços abertos e extremamente amorosos. Era suave, plena, tranquila e nos preenchia de uma paz alegre e suave. A sensação era que aquelas plantas rosadas e cáqui nos ligavam de modo mais rápido e delicado ao mundo espiritual, à parte interna de cada um de nós. Era como se cada uma daquelas delicadas plantas fosse um templo em si, um templo natural erigido pela Pachamama para levar seus filhos a encontrarem-se nas plantações e porque não quando ingerissem seus frutos. Um alimento para o corpo e um abrigo e veículo para o espírito.
Nos deitamos no meio das plantas e ali ficamos por muito tempo. Mais uma vez sentia aquela inteireza, aquela falta de necessidades que trazia uma união com tudo ao meu redor. não havia fome, frio, sede, calor, pressa ou preguiça. Havia somente estar ali. Pleno, inesgotável, eterno e ainda sim infinitamente mortal e efêmero.
Não é preciso dizer que tamb;em nõa havia qualquer desejo de ir embora, mas sabíamos que nào poderíamos nos delongar. Subimos os andenes, um a um, com extrema delicadeza e calma, presentes da Mama Quínua e chegando no topo vimos o sol se por e a lua cheia se levantar no horizonte oposto. Um momento de puro equilíbrio entre o Sol, a Lua, a Terra e seus Filhos.



