admin

PERU 2008 - O Puma

Dia seguinte, corpos já cansados e céu nublado pareciam querer nos manter pregados à cama.
Num esforço quase sobrenatural saímos em direção ao Templo da Lua, próximo a sacksaywaman.
Não acreditamos, quando, de longe, em meio ao campo de trigo vimos faixas amarelas em volta do complexo monolítico e trabalhadores do INC, intituto naciona de cultura do peru, trabalhando nas ruínas deste templo.
Ainda esperançosos chegamos, ka e eu, até o templo e nos certificamos que a entrada estava proibida.

Resolvemos então pegar as ruínas do que era a antiga estrada Inka e descermos a encosta até Sacksaywaman.

Eu particularmente andava sem muita vontade de ir até sacksaywaman pois inha primeira impressão do local, dias atrás nào havia sido das melhores. Conhecia lugares de poder fortes e sacksaywaman pelo seu porte mostrara muito mais do que parecia ser de verdade.

Mas como Ka havia insistido muito estava disposto a acompanhá-lo por simples apoio amistoso.

- Não é possível Allan, que você esteja falando da mesma Sacksaywaman que eu conheço. Repetia ele vezes sem fim.

Entramos pelos “fundos” do complexo arqueológico, onde uma série de pedras naturais, não trabalhadas e pequenas grutas existiam.
Depois de andar um pouco encontramos uma “chincana”, gruta com duas entradas, que nao permitia a entrada de luz e que era utilizada para uma espécie de ritual de renascimento, de sair das profundezas da terra novamente à vida.

Muito bem. Vamos nós diretamente ao centro da terra! uhu!

Uhu nada. após dois passos e uma escuridão que podia-se ver mais com os olhos fechados que abertos começamos a morrer de medo e dar vazão a questionamentos se poderíamos nos perder, se existia só um caminho, se tinha bicho papão, etc, etc.

Voltamos dois passos para o velho e conhecido mundo, cheio de luz, mesmo que nublado. Quase sem ar começamos a questionar. Oscilávamos, em questões de segundo entre entrar ou não entrar na caverna.
Por fim, mais uma tentativa.

Andamos desta vez uns quatro passos talvez e tateando no escuro identificamos que existia uma entrada à esquerda, que dava para passar, e que um pouco mais adiante, à direita existia uma espécie de oco, pequeno e junto ao chão, ficamos em dúvida sobre o que fazer, e estávamos ainda sobre o frenesi das dúvidas. O espírito do guerreiro estava abalado e naquelas circunstâncias não tínhamos energia suficiente para aquela jornada. Decidimos abandonar a empreitada e retornamos mais uma vez. desapontados conosco mesmos.

Estávamos decididos a aceitar a derrota quando imediatamente aparece uma mulher com trajes locais, e sua cesta com imagens, colares, gorros e toda a parafernália que vendem para os turistas.

Era muito estranho que no meio do complexo arqueológico víssemos uma vendedora local. Normalmente elas se amontoam na entrada das ruínas, mas dentro das mesmas é quase impossível ver algum vendedor. Esta vinha caminhando confiante, como se soubéssemos que estávamos ali naquele recanto que não podia ser visto de nenhum outro lugar. Nos olhava sorridente e antes que pudesse dizer algo Ka advertiu que ela nao podia estar ali por acaso e que deveríamos conversar com ela.

Ela chegou nos oferecendo uma escultura de pedra na forma de um puma. Sugestivo que a primeira coisa que nos oferecesse fosse justamente o animal que simboliza a fortaleza, a força, a coragem, e um animal que sabe ver no escuro.

perguntamos a ela se ela já havia atravessado a “chincana” e ela confiante disse que sim, que era muito pequena e simples e que nào havia maneira de errar o caminho, deveríamos nos manter à esquerda, sempre tateando a paree e iríamos sair indubtavel e indelévelmente do outro lado.

Sua voz era doce e suave, seu sorriso apesar de largo era confiante, nos incitava a ir adiante.

Senti que deveria comprar seu puma, ele me daria a coragem e a visão para atravessar as profundezas do meu próprio ser e ir adiante no caminho escuro que se abria à minha frente.

Confiante tomei a dianteira. Ka se segurou à minha blusa e seguimos chincana a dentro. Eu era outra pessoa, ou melhor dizendo outro ser. Meus pés se moviam de forma precisa, leve e suave. embora nao visse nada à minha frente meus olhos estavam abertos e minha coluna, arqueada por causa da altura da gruta, estava viva, eriçada, pronta.

Continuei caminhando com total segurança em mim mesmo e alguns metros adiante já podia ser a silhueta das pedras. Alguns passos mais e uma luz no fim do túnel, com perdào do trocadilho. Poucos metros adiante e estava eu e ka no enfiteatro enorme que servia de recepção aos que ultrapassavam a chincana.

Sentíamo-nos fortes, vitoriosos, livres e iluminados pela vida.

Estávamos em silêncio.

Como se uma mola tivesse desatado instantaneamente retornamos à chincana e fizemos o caminho reverso, desta vez parando no meio para sentir a escuridão, fazer as pazes com ela e sentir como se se estivéssemos, e estávamos, no útero da grande mãe terra.

Saímos do outro lado para agradecer à nossa amiga oportuna mas ela nào estava mais lá. Corri para procurá-la e agradecê-la mas ela tinha desaparecido. Subi algumas pedras para vistar ao longe e nõa havia rastros de sua pessoa. Não sabia como iria agradecer a ela a força que nos havia dado naquele momento, e como me sentia bem de ter seguido a intuição de Ka e o incentivo dela.

Rsolvemos passar mais uma vez pela chincana, retornando ao anfiteartro apra de lá seguirmos para novos locais em Sacksaywaman.

Chegando ao outro lado um grupo de turistas aguardava para entrar na chincana. Deviam ser mais ou menos 15 pessoas, norte americanas pela cor de pele e sotaque inglês característico.

Ao passar pela penúltima pessoa ouvi ela dizer: “Isso vai tomar tudo o que eu tenho. não sei se conseguirei.”

Minha reaçào foi imediata, era claro o que eu deveria fazer. Agradecimento à moda xamanica, ou seja, devolver para outra pessoa o beneficio recebido e assim criar uma corrente do bem. Sorri para ela e perguntei diretamente se estava com medo.

Antes que ela respondesse estendi o puma para ela e disse: “eu estava morrendo de medo, e este animal me ajudou a atravessa a escuridào. Ajudará você também. Tome!”

No estilo americano de ser ela respondeu: “Quanto é?”

Sorri para ela e disse que eu era tào turista quanto ela, e antes que seu racional pudesse tomar a dianteira me afastei dizendo para ela ter coragem.

Fomos para o lado oposto do anfiteatro. Ali haviam alguns altares que estavam completamente vazios, e nos parecia muito convidadtivos. Sem dizer uma palavra encontramos lugares apropriados e ficamos em meditaçào por alguns breves minutos, interiorizando a experiência recém adquirida.

Era um local e um tempo de poder, mágicos, plenos.

Após alguns momentos resolvemos ir a outros lugares do complexo e passamos perto da saída da chincana. Há uns 20 metros dali vi uma pessoa abanando as mãos com alguma coisa nelas para mim. Era a turista americana, esatav feliz, radiante, viva. Seu corpo e sua alma brilhavam de alegria. ela gritava algo que depois entendi como sendo “Thank you!, Thank you”! e fazia um sinal de reverência com as mãos juntas, como quando estamos rezando, ou à maneira budista.

Sabia o que ela estava sentindo. Não quis me aproximar para que ela não perdesse o momento com agradecimentos e explicações, e nem quisesse me devolver o puma. Acenei de volta, agradeci ao universo e a ela por ter me dado a oportunidade de retribuir o favor, e mentalmente pedi a ela que passasse aquela coragem adiante.

sa  dachincana1 - sa  dachincana1saidachincana - saidachincana

Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 128

RSS dos Comentários

Deixe uma resposta.

Você deve estar conectado para publicar um comentário.