Arquivo de Fevereiro de 2009

admin

o Mar

O Mar, grande. O céu Infinito. Eu, não mais que um grão de areia.

Mas mesmo assim sentia o sol e a pele.

A areia branca e a água verde. O vento calmo e a esperança num sorriso.

Eu estava no meio dos Deuses.

Inicialmente sentado, como eu pensava que assim podiam estar as divindades de todos os panteões, fiquei apenas respirando. Sentindo cada parte do meu ventre se inflar e contrair. As ondas do mar também assim o faziam. Não sei se me imitavam ou realmente eu tinha nascido no meio dos deuses e com eles aprendera coisas sagradas, como respirar e amar. Desde que nasci respiro a todo instante, e quando o faço de maneira estúpida me uno às maneiras estúpidas, e me torno estúpido e profano.
Mas nesta manhã eu e o Mar respirávamos juntos num ritual tão soberano e simples, da maneira que os soberanos sabem ser simples.

Pouco a pouco, quanto mais me silenciava no movimento do diafragma, senti o Rei Sol, pai de todos os Deuses, invadir meu corpo sem licença. Em um segundo já não respirava mais, era respirado. Já não tinha mais pensamentos, era pensado. Já não tinha corpo, mas me tomava a carne toda a luz e calor que ainda que infinitas me incluíam em sua vastidão.

Eu era luz.

Eternidade ou segundos se passaram. O Tempo, filho de Chronos e portanto neto do meu Sol e de mim haviam ido por um caminho outro que não aquele beira-mar. Eu, novo sol, renascido das cinzas e das areias de Ipanema no Rio de Janeiro, somente brilhava.

Lembrei que tinha olhos e os abri, suave e levemente, só para fecha-los em seguida. Vi centenas de sóis caminhando pela praia, vestidos em carne, braços, pernas e biquínis. Em suas cabeças coroas de luzes de toda a matéria Universal. Eram Deuses caminhando entre os Deuses.
Só haviam se esquecido disto.

É dado aos deuses o poder do esquecimento? Seria uma maldição do Deus dos Deuses? Ou uma tentativa quase inútil de se cegar sem suicídio para a infinita vida que nos ronda e abraça?
Talvez apenas brincadeira dos Deuses.

Levantei meu vestido de carne, porque agora sei que as divindades de todos os panteões permanecem de pé. Um pé na eternidade e outro em algum lugar qualquer que seja agradável.
Lembrei que respirava. Respirei e levei luz aos órgãos, vice reis que transformam luz e ar em vida. Dei ao Rim, senhor da Serenidade uma luz azul brilhante e ao fígado, General de campo, presenteei-o com suaves verdes molhados trazidos da Amazônia. Em seguida entreguei ao Coração luzes vermelhas e apaixonadas. O Coração é um próprio pedaço do Sol morando na Terra. Para o Baço reservei o amarelo divino e brilhante, e por fim entreguei ao rei da Coragem, Senhor Pulmão, o branco da minha pureza recente. Respirei pelos ossos, como se minhas mãos e pés fossem tubos por onde a Luz e o Ar podem se fazer medula, sangue e estrutura.

Guardei todas as minhas forças no caldeirão de meu umbigo e pedi um mate ao vendedor ambulante que me passava à frente. O Deus encarnado, não sei se consciente ou não, apenas sorriu e me disse que eram Dois Reais.

admin

Sob o céu das Gerais

Belo Horizonte me parece uma cidade poética.

Em seus nomes comerciais, e na fala do povo sob a Serra do Curral, o vale do Rio das Velhas era algo tão fluido e inocente quanto não o eram suas ruas e avenidas noturnas.
Ainda assim a noite que se fora, e com a ela a lua graceja, havia deixado um descanso sereno no colo de um sol agradável.

Em algum lugar uma praça, de um Papa. Que para mim não tinha nada de Pontífice aquela praça, mas de crianças, namoros, pipocas e árvores.

Andei a esmo, como se deve andar sob os céus das gerais. Observando as árvores procurava uma que me fosse mais simpática, e eu a ela. Procurava um romance arbóreo, logo ali, naquela manhã de domingo. Movido apenas pela simpatia, ou deveria chamar empatia? Encontrei um belo e forte Pau-Ferro. Com seu tronco bem formado, formigas aos montes a subirem sua casca lisa, senti de imediato um relaxamento que ao mesmo tempo tonificava meu corpo.

Permaneci em Silêncio pedindo respeitosamente que aquele ser me acolhesse sob sua copa. Consentido e acolhido me senti forte, era como se meu corpo tivesse, de súbito se transformado num daqueles galhos fortes, e eu fosse parte emergente do tronco férreo.
Quis subir na árvore.

Fui subido.

Algo que vinha da copa me arrancou do chão, e sem saber, sabendo, em segundos era eu nada mais que parte daquela vasta abertura sob as folhas, sobre os galhos, longe do chão, dentro da Terra.
Sem querer, querendo, encontrei um local onde podia descansar sem medo de queda. Medo inútil mas presente.

Ali, acolhido e forte, galho e folha, eu era árvore, silêncio e manhã.

Sem eu sentir, sentindo, o pau ferro me ensinou que sob seus galhos se pode trabalhar a vontade, e a força que move esta vontade. Senti, na altura do meu estomago, uma espécie de mundo inteiro que se condensava e me fazia crer forte, belo, existente. Era uma quase dor, quase explosão que queria ir, mas ficava. Era a vontade de viver e ser vivido. Amar e ser amado. Perceber e ser algo que uma vez percebido se move e atua na existência do mundo.

Me ensinou, meu amigo Pau-Ferro, que sob sua copa aquilo que as mulheres e homens conhecem por depressão não existia, e que ele e seus irmãos de espécie, gostam de curar as pessoas destas moléstias da vontade. Falou por horas e horas de árvore. Que são apenas alguns segundos dos homens, como estes estão doentes em suas vontades. Que a vontade, e sua força, no homem moderno possuem algo de deturpado, de excêntrico, onde o apego ao patógeno é uma forma de expressar o amor, e o medo de não se amar fazia com que as pessoas não quisessem ficar boas, curadas. Os homens tem medo de se curar e não mais amar, mas adoecidos também são impotentes no coração e na vontade, não é isto uma doença, me pergunta o pau ferro. Não respondi, pois o entendia, mas não sabia falar sua língua.

Na verdade nem sabia que os Pau Ferros gostavam tanto assim de falar.

Me contou também que os problemas de joelho na maioria das vezes eram falhas na vontade, e que também eles, os pau-ferro gostavam de curar joelhos. Quis perguntar-lhe como ele, sendo uma árvore entendia de joelhos. Mas me lembrei que ainda não sabia falar aquela língua. Pois era uma língua de poder, de força, de fé e de esperança na vida, da vida e para a vida.

Apenas ouvi, e sorri.

A essência do Caminho é o amor, e sua expressão mais objetiva é a paz. O Caminhante desta trilha deve entender que atingir essa essência de amor e expressá-la através da paz é uma ação ativa e não reativa.

Em outras palavras, o amor deve ser alcançado, existir e ser manifesto por todas as coisas. O Amor é o desejo de união e conexão com todas as coisas, e obviamente pode se manifestar também em formas de amor conhecidas como amizade, amor paterno e por outras pessoas que admiramos e o amor romântico entre dois seres humanos; porém não se limitando apenas a estas formas sendo a união com o Universo e seu Criador, e todas as pequenas coisas que o compõe, a forma mais abrangente de amor.

Desta forma amar incondicionalmente todas as coisas é o caminho e o fim da jornada. Mas como amar um inimigo?

Se a essência do amor é atingida como um ato de ação e não de reação o caminhante não terá inimigos. Mas se alguma parte do universo ao qual está conectado, seja uma pessoa ou uma árvore que cai, ameaçar sua integridade física ou moral ele deve se defender. Deve atuar, agir, para que o equilíbrio e o amor sejam re-estabelecidos. Portanto até mesmo um revide a uma agressão física tendo como conseqüência a finalização da agressão, e dependendo da ordem desta finalização até mesmo o desencarne do agressor, é feita sob o ponto de vista do amor e da resolução anterior do Caminhante em agir em prol do amor e da manutenção de sua expressão, a Paz.

Assim podemos entender porque algumas artes marciais, como o aikido, wing chun e o iaido podem concatenar seus discursos filosóficos de amor e não agressão, apenas defesa pessoal, com a intenção de se utilizar estas artes para atingir a Iluminação Espiritual.

Inicialmente por serem artes intrinsecamente de defesa podemos pensar que são artes de reação. Isto porque observamos apenas o momento do conflito, da quebra da harmonia. Mas se observarmos que estas artes foram feitas para não serem utilizadas, ou se o forem somente para frear um desequilíbrio da paz universal, então entendemos que são caminhos de ação. Uma ação pacífica e amorosa, e que eventualmente toma formas viris para defender e preservar a vida, o amor e a paz.

O Guerreiro, o Buscador, o Caminhante age, apenas o tolo reage.

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Calendário 2009

Queridos (as)!

Após longas (e merecidas) férias depois das atividades de 2008 venho convidá-los a conhecer meu novo projeto Geosounds - Melodias para a Terra, cujas informações estão em www.geosounds.com.br . Um estudo e um trabalho que utiliza os sons como forma de cura ambiental.

Aproveito também para postar abaixo o calendário de 2009, com novos cursos e eventos.

Todas estas informações e mais algumas estão no site www.geobiologia.com.br , e muitos comentários geobioloucos estão no blog http://geobiologia.com.br

A partir desta semana estarei enviando e-mails com mais detalhes das atividades do semestre.

Saudades, abraços e umexcelente 2009 a todos!

Allan Lopes Pires

(Obs: Caso você não deseje receber mais e-mails desta lista por favor, responda a esta mensagem com o título Remover, e desculpe-nos o inconveniente : - )

Março

12 - Apresentação Geosounds ao vivo (NOVO)- São Paulo

14 - Workshop Geosounds - Sons como ferramenta de cura ambiental (NOVO) - São Paulo

27, 28 e 29 - Casa Saudável - Geobiologia Intensivo - Belo Horizonte, MG

Abril

03, 04, e 05 - Geometria Sagrada e Natural (REVISADO, Desconto para ex alunos) - São Paulo

19 - Apresentação Geosounds ao vivo (NOVO)- Belo Horizonte, MG

21 - Workshop Geosounds - Sons como ferramenta de cura ambiental (NOVO) - Belo Horizonte

24, 25 e 26 - Casa Saudável - Geobiologia Intensivo - São Paulo

Maio:

07 - Apresentação Geosounds ao vivo (NOVO)- Rio de Janeiro

09 - Workshop Geosounds - Sons como ferramenta de cura ambiental (NOVO) - Rio de Janeiro

16 e 17 - Geobiologia Prática- Mod. I - Belo Horizonte, MG

23 e 24 - Geobiologia Prática - Mod. I - São Paulo

28, 29 e 30 - Geometria Sagrada e Natural (REVISADO, Desconto para ex alunos) - Rio de Janeiro

Junho:

04 - Apresentação Geosounds ao vivo (NOVO) -Porto Alegre

06 - Workshop Geosounds - Sons como ferramenta de cura ambiental (NOVO) -Porto Alegre

13 e 14 - Geobiologia Prática- Mod. II - Belo Horizonte, MG

20 e 21 - Geobiologia Prática - Mod. I - São Paulo

26, 27 e 28 - Geometria Sagrada e Natural (REVISADO, Desconto para ex alunos) - Belo Horizonte