Arquivo da categoria ‘Lugares de Poder’

Tá de noite, madrugada e já comecei escrevendo plagiando o Julio Verne. Acho que é porque vi qualquer coisa na internet falando de um possível filme com histórias dele que será lançado, ou relançado. Não sei.

Já voltei da viagem ao peru faz uma semana e pouco, a rotina diária pouco a pouco vai tomando lugar e as lembranças vào ficando cada vez maiores, enquanto as sensações pouco a pouco vão deixando apenas doces e profundas marcas.

Naquela tarde, após os mágicos episódios de sacksaywaman nos dirigimos a Moray. Um complexo arqueológico interessante com seus vários patamares de agricultura em forma circular e que descem em direção ao centro da terra.

O Universo nos havia reservado um pequeno presente, Pablo, o taxista que nos levava era tamb;em um profundo conhecedor da geografia, história e mitologia local. Ao ver nosso contentamento e as perguntas objetivas de ka resolveu pegar um atalho e passar por uma estrada vicinal, de terra, mas que escondia várias vistas maravilhosas do Vale Sagrado dos Inkas. Passamos por um pedágio local e foi interessante saber como as comunidades de agricultores de organizam no Peru. geralmente cultivam pedaços de terra que sào da comunidade e nòa de um indivíduo apenas, e assim dividem trabalho e produção. Naquele caso específico Pablo dizia que somavam a isso a administração da estrada, que embora de terra estava em muito bom estado. Comentava que se deixassem por conta do governo fazer isso jamais conseguiriam trafegar ou mesmo viver adequadamente.

Eu, interessado no que dizia Pablo, mas só de longe. Meu embevecimento contínuo pelas inúmeras vistas deslumbrantes me deixavam um pouco atônito e meio inexperessivo.

Nos mostrou uma Pacarina, ou local de origem. Um lago com uma quietude e uma presença inigualáveis. embora breve o momento que paramos para tirar fotos, aquele local preencheu alguma parte de meu ser que eu mesmo desconhecia e que vinha sedenta de atenção há milênios.

Muitas curvas e vistas depois chegamos a Moray. Eu havia visto fotos que me deixaram ultra intrigado em relação àquele local, mas minha curiosidade era como uma gota de água no oceano frente a grandeza daqueles patamares de agricultura. Era algo sobrehumano pensar como aqueles patamares foram construídos.

Quando começamos a descida descobri, para maior surpresa, que não era apenas um complexo de patamares concentricos, mas 4 deles. De qualquer forma a tarde avançava e nào teríamos tempo para visitar todos, e portanto nos dirigimos ao principal e maior de todos.

As escadas, formadas de pedras que sobressaiam dos muros, eram interessantes de se descer, e às vezes perigosas por serem muito juntas aos muros.

Quando estávamos no penúltimo patamar antes do centro profundo do local, paramos e nos distanciamos e começamos a emitir mantras e sons guturais. era incrível a acústica local e em alguns minutos começamos a sentir algo mais que o som. Uma espécie de onda circular, como as “olas”feitas pelos torcedores em jogos de futebol, passava por nossos corpos a cada 10 segundos, mais ou menos. mesmo depois que paramos de entoar os mantras continuávamos a sentir “la ola”.

Por fim descemos até o patamar mais baixo. Diferentemente da maioria dos complexos arqueológicos que tem em seus patamares apenas grama, este possuia duas plantações, uma arbustiva e outra rasteira. Achamos interessante e imaginamos como seria lindo se todos os patamares ainda fossem hoje cultivados. depois uma análise mais minuciosa nos mostrou que na verdae quase todos os patamares de Moray eram cultivados, somente que naquele dia eles, à exceçào ultimo, estavam sendo preparados para o plantio.

Ka tinha em sua bolsa folhas de coca. Assim como é feito milhares de vezes por dia em todo o Peru, oferecemos, no centro do patamar, as folhas à Mãe Terra, agradecendo em primeiro lugar, e pedindo força, proteção, coragem e fertilidade e abundância na vida, pois aquele local emanava a prosperidade da vida. Nos abraçamos e nos agradecemos pela bela jornada que estávamos empreendendo e pedimos que todas as pessoas que viriam se juntar a nós no dia seguinte tivessem uma boa e segura viagem e que nossos dias juntos fossem de luz, alegria, cerscimento e aprendizado.

Sentindo-nos felizes sentimos uma presença muito sutil mas ao mesmo tempo muito marcante próximo a nós. Procuramos por pessoas ou animais mas estávamos sozinhos no centro daqueles vastos patamares. E foi então que sentimos que a presença vinha dali de perto, da plantação que estava a poucos metros de nós. Nos aproximamos dos vegetais, já secos e identificamos que era uma plnatação de Quinua, ceral nobre e riquíssimo em vitaminas e substâncias necessárias à vida.

A Plantaçào toda era como se fosse uma única entidade que nos acolhia, nos recebia de braços abertos e extremamente amorosos. Era suave, plena, tranquila e nos preenchia de uma paz alegre e suave. A sensação era que aquelas plantas rosadas e cáqui nos ligavam de modo mais rápido e delicado ao mundo espiritual, à parte interna de cada um de nós. Era como se cada uma daquelas delicadas plantas fosse um templo em si, um templo natural erigido pela Pachamama para levar seus filhos a encontrarem-se nas plantações e porque não quando ingerissem seus frutos. Um alimento para o corpo e um abrigo e veículo para o espírito.

Nos deitamos no meio das plantas e ali ficamos por muito tempo. Mais uma vez sentia aquela inteireza, aquela falta de necessidades que trazia uma união com tudo ao meu redor. não havia fome, frio, sede, calor, pressa ou preguiça. Havia somente estar ali. Pleno, inesgotável, eterno e ainda sim infinitamente mortal e efêmero.

Não é preciso dizer que tamb;em nõa havia qualquer desejo de ir embora, mas sabíamos que nào poderíamos nos delongar. Subimos os andenes, um a um, com extrema delicadeza e calma, presentes da Mama Quínua e chegando no topo vimos o sol se por e a lua cheia se levantar no horizonte oposto. Um momento de puro equilíbrio entre o Sol, a Lua, a Terra e seus Filhos.morai4 - morai visto de cimamorai2 - morai próximo ao centromoraiquinua5 - quinua5moraiallanzito2 - moraiallanzito2

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PERU 2008 - O Puma

Dia seguinte, corpos já cansados e céu nublado pareciam querer nos manter pregados à cama.
Num esforço quase sobrenatural saímos em direção ao Templo da Lua, próximo a sacksaywaman.
Não acreditamos, quando, de longe, em meio ao campo de trigo vimos faixas amarelas em volta do complexo monolítico e trabalhadores do INC, intituto naciona de cultura do peru, trabalhando nas ruínas deste templo.
Ainda esperançosos chegamos, ka e eu, até o templo e nos certificamos que a entrada estava proibida.

Resolvemos então pegar as ruínas do que era a antiga estrada Inka e descermos a encosta até Sacksaywaman.

Eu particularmente andava sem muita vontade de ir até sacksaywaman pois inha primeira impressão do local, dias atrás nào havia sido das melhores. Conhecia lugares de poder fortes e sacksaywaman pelo seu porte mostrara muito mais do que parecia ser de verdade.

Mas como Ka havia insistido muito estava disposto a acompanhá-lo por simples apoio amistoso.

- Não é possível Allan, que você esteja falando da mesma Sacksaywaman que eu conheço. Repetia ele vezes sem fim.

Entramos pelos “fundos” do complexo arqueológico, onde uma série de pedras naturais, não trabalhadas e pequenas grutas existiam.
Depois de andar um pouco encontramos uma “chincana”, gruta com duas entradas, que nao permitia a entrada de luz e que era utilizada para uma espécie de ritual de renascimento, de sair das profundezas da terra novamente à vida.

Muito bem. Vamos nós diretamente ao centro da terra! uhu!

Uhu nada. após dois passos e uma escuridão que podia-se ver mais com os olhos fechados que abertos começamos a morrer de medo e dar vazão a questionamentos se poderíamos nos perder, se existia só um caminho, se tinha bicho papão, etc, etc.

Voltamos dois passos para o velho e conhecido mundo, cheio de luz, mesmo que nublado. Quase sem ar começamos a questionar. Oscilávamos, em questões de segundo entre entrar ou não entrar na caverna.
Por fim, mais uma tentativa.

Andamos desta vez uns quatro passos talvez e tateando no escuro identificamos que existia uma entrada à esquerda, que dava para passar, e que um pouco mais adiante, à direita existia uma espécie de oco, pequeno e junto ao chão, ficamos em dúvida sobre o que fazer, e estávamos ainda sobre o frenesi das dúvidas. O espírito do guerreiro estava abalado e naquelas circunstâncias não tínhamos energia suficiente para aquela jornada. Decidimos abandonar a empreitada e retornamos mais uma vez. desapontados conosco mesmos.

Estávamos decididos a aceitar a derrota quando imediatamente aparece uma mulher com trajes locais, e sua cesta com imagens, colares, gorros e toda a parafernália que vendem para os turistas.

Era muito estranho que no meio do complexo arqueológico víssemos uma vendedora local. Normalmente elas se amontoam na entrada das ruínas, mas dentro das mesmas é quase impossível ver algum vendedor. Esta vinha caminhando confiante, como se soubéssemos que estávamos ali naquele recanto que não podia ser visto de nenhum outro lugar. Nos olhava sorridente e antes que pudesse dizer algo Ka advertiu que ela nao podia estar ali por acaso e que deveríamos conversar com ela.

Ela chegou nos oferecendo uma escultura de pedra na forma de um puma. Sugestivo que a primeira coisa que nos oferecesse fosse justamente o animal que simboliza a fortaleza, a força, a coragem, e um animal que sabe ver no escuro.

perguntamos a ela se ela já havia atravessado a “chincana” e ela confiante disse que sim, que era muito pequena e simples e que nào havia maneira de errar o caminho, deveríamos nos manter à esquerda, sempre tateando a paree e iríamos sair indubtavel e indelévelmente do outro lado.

Sua voz era doce e suave, seu sorriso apesar de largo era confiante, nos incitava a ir adiante.

Senti que deveria comprar seu puma, ele me daria a coragem e a visão para atravessar as profundezas do meu próprio ser e ir adiante no caminho escuro que se abria à minha frente.

Confiante tomei a dianteira. Ka se segurou à minha blusa e seguimos chincana a dentro. Eu era outra pessoa, ou melhor dizendo outro ser. Meus pés se moviam de forma precisa, leve e suave. embora nao visse nada à minha frente meus olhos estavam abertos e minha coluna, arqueada por causa da altura da gruta, estava viva, eriçada, pronta.

Continuei caminhando com total segurança em mim mesmo e alguns metros adiante já podia ser a silhueta das pedras. Alguns passos mais e uma luz no fim do túnel, com perdào do trocadilho. Poucos metros adiante e estava eu e ka no enfiteatro enorme que servia de recepção aos que ultrapassavam a chincana.

Sentíamo-nos fortes, vitoriosos, livres e iluminados pela vida.

Estávamos em silêncio.

Como se uma mola tivesse desatado instantaneamente retornamos à chincana e fizemos o caminho reverso, desta vez parando no meio para sentir a escuridão, fazer as pazes com ela e sentir como se se estivéssemos, e estávamos, no útero da grande mãe terra.

Saímos do outro lado para agradecer à nossa amiga oportuna mas ela nào estava mais lá. Corri para procurá-la e agradecê-la mas ela tinha desaparecido. Subi algumas pedras para vistar ao longe e nõa havia rastros de sua pessoa. Não sabia como iria agradecer a ela a força que nos havia dado naquele momento, e como me sentia bem de ter seguido a intuição de Ka e o incentivo dela.

Rsolvemos passar mais uma vez pela chincana, retornando ao anfiteartro apra de lá seguirmos para novos locais em Sacksaywaman.

Chegando ao outro lado um grupo de turistas aguardava para entrar na chincana. Deviam ser mais ou menos 15 pessoas, norte americanas pela cor de pele e sotaque inglês característico.

Ao passar pela penúltima pessoa ouvi ela dizer: “Isso vai tomar tudo o que eu tenho. não sei se conseguirei.”

Minha reaçào foi imediata, era claro o que eu deveria fazer. Agradecimento à moda xamanica, ou seja, devolver para outra pessoa o beneficio recebido e assim criar uma corrente do bem. Sorri para ela e perguntei diretamente se estava com medo.

Antes que ela respondesse estendi o puma para ela e disse: “eu estava morrendo de medo, e este animal me ajudou a atravessa a escuridào. Ajudará você também. Tome!”

No estilo americano de ser ela respondeu: “Quanto é?”

Sorri para ela e disse que eu era tào turista quanto ela, e antes que seu racional pudesse tomar a dianteira me afastei dizendo para ela ter coragem.

Fomos para o lado oposto do anfiteatro. Ali haviam alguns altares que estavam completamente vazios, e nos parecia muito convidadtivos. Sem dizer uma palavra encontramos lugares apropriados e ficamos em meditaçào por alguns breves minutos, interiorizando a experiência recém adquirida.

Era um local e um tempo de poder, mágicos, plenos.

Após alguns momentos resolvemos ir a outros lugares do complexo e passamos perto da saída da chincana. Há uns 20 metros dali vi uma pessoa abanando as mãos com alguma coisa nelas para mim. Era a turista americana, esatav feliz, radiante, viva. Seu corpo e sua alma brilhavam de alegria. ela gritava algo que depois entendi como sendo “Thank you!, Thank you”! e fazia um sinal de reverência com as mãos juntas, como quando estamos rezando, ou à maneira budista.

Sabia o que ela estava sentindo. Não quis me aproximar para que ela não perdesse o momento com agradecimentos e explicações, e nem quisesse me devolver o puma. Acenei de volta, agradeci ao universo e a ela por ter me dado a oportunidade de retribuir o favor, e mentalmente pedi a ela que passasse aquela coragem adiante.

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PERU 2008 - Iniciaçao Inka

Saímos de Pisac super atrasados para nosso encontro com Mestre Francisco. Ka ia à frente com o motorista do táxi, frederico, valéria e dani no banco de trás, e eu no bagageiro.

Pensava em dormir um pouco porém uma a uma foram surgindo as montanhas sagradas, ou Apus, do vale do rio Vilcanota. Encobertas com neve no topo e quase sem nenhuma vegetaçao exalavam uma aura de mistério, fascínio e convite que eram quase irresistíveis.Várias fotos retiradas de dentro do carro na emoçao do momento e e no frenezi das buzinadas do carro. Os motoristas peruanos, espcialmente os de táxi, comprendem a buzina como algo fundamntal para o funcionamento do carro, bem como o acelerador embreagm combustível. Este nao fugia à regra e buzinava para pessoas que estavam nas calçadas e numa área da estrada que estava sendo recapeada buzinou para todos os buracos, pois nao havia animais ou pessoas em volta. Provavlmnt queria qu os buracos fossem ao acostamento ou estava penas se certificando que nao iriam mover-se entrar bruscamente sob os pneus.

Chegamos na praça principal da cidade de Ollantaytambo por volta das 3 da tarde, e como se houvéssemos combinado Mestre Francisco estava caminhando em nossa direçao.

Nos saudou como sempre alegremente nos disse que o momento era perfeito, e que o atraso nao era problema algum. Nos apressou para que entrássemos ao complexo arqueológico e nos levou imediatamente a uma fonte praticamente isolada do restante do complexo. Neste momento, como que num passe de mágica nao havia qualquer vigilante do parque arqueologico. Ele saltou a corda que impedia os turistas de chegarem até a fonte e começou a explicar que aquela fonte era uma espécie de eixo do império inca, ou em suas palavras umbigo, e que a partir dali saiam os raios nergéticos que se conectavam com todo o antigo império. nos explicou que nosdias de equinócio um jogo de luz sombras faziam com que a figura de um sacerdote inca aparecesse com as maos m concha a colher a água da fonte e por isto l considerava aquele local a porta de entrada ao universo inca.

Neste momento pediu a Panchito, seu filho de 8 anos que nos acompanhava e que havia se juntado a nos no caminho entre a praça e o complexo arqueológico, que lhe desse as ¨chacanas¨. Chacanas sao as chamadas cruzes escalonadas do império inca e que sao utilizadas comumnte nos dias de hoje como amuletos. Nos disseque eram chacanas feitas de pedra serpentina vindas da proximidade de Machu Picchu e que ele as dava a quem se iniciava no conhcimento do caminho inca. Mergulhou-as na fonte e ali as deixou enquanto passou a mao na água, na partede cima da fonte, e impressionantemente a água deixou de cair como m uma cachoeira e passou a simplesmnt escorrer colada á pedra, sem fazer barulho algum. era impressionante que a água pudesse mudar seu comportno com um simples toque de dedo.

Ordenou-me asaltar a corda em colocar m posiçao fetal na fonte me apoiando em duas protuberancias da rocha que a compunha. Em seguida com mais um toque na água a mesma voltou a jorrar caudalosa e cobiu toda a minha nuca e cabeça dando uma sensaçao de limpeza, alivio e frescor. Mestre Franscico entao me disse para lvantar todo o corpo de uma vez, jogando a água para trás da cabeça.

Pegou minha mao direita e estendeu-a até a fonte. Novamente tocou a água e esta trocou seu fluxo de queda para escorrimento. pegou uma das chacanas que estavam dentro da pia da font e passando-a sobre minha mao estendida trouxe-a de volta à pia. em seguida tocou a água e estava voltou a jorrar. estendeu minh mao esquerda que dentro do jorro de água recebeu a chacana. Colocou-a em meu pescoço e ollhando-me fixa e alegremnt declarou: Amaru Runa, Homem de Sabedoria. Deu um longo e caloroso abraço, virou-se para Ka e pediu que anotasse o nome seu significado. Nao estava entendendo o que acontecia e entao Ka me explicou que eu havia ganhado um novo nome, e que dentro da tradiçao andina eu nao mais me chamava Allan, mas sim, Amaru Runa. Explicou também que a palavra Amaru poderia ser tanto utilizada como sabedoria como para serpente, pois em realidade a serpente tanto na mitologia inca como em muitos outras no mundo era considerada o símbolo da sabedoria. Comentou que seu próprio nome em língua inca, o quéchua, era Amauta Runa, que significa homem sábio, ou professor, e que a proximidade fonética e semantica de nossos nomes indicava uma complementaridade, ou irmandade.

O mesmo ritual se sucedeu com Frederico e Valéria e depois fomos visitar as ruínas do complxo arqueológico. No caminho vimos alguns altares dedicadosao condor e à Lhama além de vermos que todo o complexo arqueológico possui a forma estilizada de uma Lhama, ou Alpaca.

Mestre Francisco ntao nos convidou para iraté sua casa e acrescentou que no dia postrior ao Solstício de Inverno iríamos fazer uma cerimonia no alto Ollantaytambo. Justamente onde deveria se encontrar o cérebro da grande Alpaca, que era o local, no complexo arqueológico e na cidade, que primiro era brindado pelos raios de sol neste dia específico.tunupa - tunupaollanta1 - ollanta1maestrofrancisco1 - maestro francisco1condorhuaca - condorhuacacaminantes - caminantesApuOllanta - Apu em Ollantaytambo

A mitologia andina fala de três mundos, e a a eles associados existem 3 animais sagrados, a serpente, o puma e o condor que respectivamente simbolizam o mundo subterraneo, a terra e a sabedoria, o mundo intermediário onde vivem os homens e a fortaleza, ou força de vida, e o mundo celestial, do espirito e da pureza.

Numa das curvas do caminho podia-se avistar uma imensa montanha cuja silhueta se assemelhava as costas de um imenso condor de asas abertas. Em seu topo as ruínas de Pisac, um templo no inicio do Vale sagrado dos incas, o vale do rio vilcanota e que se dedicava à produçao de alimentos em seus inumeros terraços de plantaçao que volteiam a montanha, a guardar o inicio do vale sagrado, ao culto ao Sol e ao elemento do Ar, ao culto aos antepassados e centro da energia básica, sexual, ou essencial do ser humano.

Vejamos cada uma destas facetas. A produçao e distribui´cao de alimentos no imperio inka atingiu o apogeu mundial e nunca foi igualada. este reino gaba-se de ter sido o unico no planeta a ter erradicado completamente a fome dentro de suas fonteiras, mesmo lidando com condiçoes geograficas e climaticas extremas. (veja mais detalhes históricos no livro ¨A ciencia sagrada dos Incas, Wanderson Ribas Ka, Editora Madras, 2008¨).

Outra de suas peculiaridades era cultivar a multidisciplinaridade, ou em palavras mais simples, utilizar uma coisa para várias funçoes. Portanto o local prestava-se a produçao de alimentos mas também estava localizado em uma regiao estrategica onde podia-se guardar a entrada do vale sagrado, assim proteger seus tesouros fisicos e espirituais.

Por ser o inicio deste vale que representa a via láctea espelhada na crosta terrestre e também se relaciona com a coluna vertebral Pisac possui a energia do chácra básico.

Curiosamente quando chegamos a um des seus pequenos recantos vimos algumas fontes para purificaçao e que estavam localizadas de frente ao que seria o pescoço do condor. Nesta área de montanha encontrava-se uma escarpa, dedicada ao culto aos ancestrais e que abrigava no passado a tumba de inúmeros seres humanos que por aqui passaram e deixaram sua contribuiçao.
A açao imediata era obvia, nos purificamos nas fontes, nos sentamos voltados para o oeste, direçao do poente, e que era exatamente onde se encontrava a montanha dos ancestrais. Cada um iniciou sua meditaçao agradecendo a seus antepassados de sangue e de espírito, e tambem agradecendo aquelas inúmeras pessoas anonimas que tornaram possivel que nos hoje disfrutassemos deste local.

Em seguida descemos por uma trilha íngreme e parando em cada Huaca, ou local sagrado que encontramos. Ali faziamos nossas meditaçoes, nossas preces, de acordo com a energia do lugar, com a qualidade que sentiamos naquele ponto.

Chegando ao sopé da montanha entramos em um grande mercado artesanal onde comidas, bebidas e roupas multicoloridas se misturavam as incriveis peças de jóias em prata, fruto de séculos de tradiçao andina em trabalhos com metais preciosos.

Apesar da vontade de comprar tantas quinquilharias quanto possível tivemos que tomar um taxi imediatamente pois Mestre Francisco nos aguardava em Ollantaytambo, cidade mais acima no Vale Sagrado dos incas e sede de um dos maiores complexos arqueológicos do Peru.valesagradopisac - valesagradopisacpisactemplos - pisactemplospisacfeira4 - pisacfeira4pisacfeira2 - pisacfeira2pisacfeira1 - pisacfeira1observatoriomongepisac - observatoriomongepisackamenirpisac - ka sobre menir em pisacencaixepisac2 - Detalhes de Encaixeencaixepisac1 - Encaixe de Pedras em Pisac

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Peru 2008 - O templo das águas

A estrada serpenteava pelas montanhas e chegou um momento que pensei que jamais acabaria. Subia, subia e subia girando às vezes 180º.

Chegamos a um platô já perto do céu e o som era de água que provinha de uma queda artificial logo próximo a uma escada. O barulho era intenso e presente, embora nao fosse ensurdecedor. Porém espantosamente ao subir as escadas e passar após a cascata seu barulho já nao se ouvia. Em seu local o ruído fluido e calmo de águas correntes e quase silenciosas.

Imansos e largos terraços de plantaçao se descortinavam como campos de futebol dispostos pelo pequeno vale incrustrado no alto da montanha.

Em um segundo estávamos eu, Ka e sua esposa Daniela, Mestre Francisco, Valéria, irma de Dani e Frederico, um grande amigo que nos encontrou de ultma hora. Em frente a uma fonte de água cristalina que deacordo com Mestre Francisco vinha do degelo das neves de uma montanha sagrada, ou Apu, próxima.

Antes de nos banharmos na fonte pedindo pureza e limpeza M. francisco pegou sua garrafa de água e depejou seu conteúdo sobre uma pedra, explicando que como iríamos nos beneficiar da agua daquele local, nada mais justo que déssemos uma reciprocidade, e explicou que a escolha de usar o próprio elemento em plena abundancia naquele local era no sentido de que houvesse abundancia de água naquele lugar e que a mesma jamais faltasse.

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Em seguida caminhamos em silencio e paramos em frente a uma fonte quádrupla, ou seja, que possuia quatro quedas dágua. M. Francisco explicou alguns detalhes do manejo hidráulico dos incas e como eles sistematizavam a irraga´cao daqueles terra´cos que provavelmente seriviam-se à plantaçao de ervas medicinais e nao á produ´cao de alimentos.

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A fonte era esplendorosa e fazia um ruído autentico e impossivel de nao se notar.

Retirei meus sapatos e senti a erva do chao. Era macia e aconchegante, senti que deveria ter feito aquilo a mais tempo, M. Francisco me olhou e meneou a cabeça em tom de aprovaçao, em seguida disse a todos, porém eu pesquei o recado pessoal: A los que caminan descalzoz no sigan los caminos que hace la gente, caminen por la yerba.

Sugestao mais que aceita subimos alguns patamares e encontramos a fonte das fontes, o local de onde a água saia da montanha, guiada por algum canal subterraneo misteriosamente feito pelos inkas para trazer a água desde a montanha gelada até aquele local.

Esta fonte era cristalina e sua água saia com uma calma quase imperceptível. o lugar emanava tamanho silencio e paz que imediatamente nos sentamos e nos mesclamos com aquela mansidao eterna.

Após alguns segundos de silencio o local nos levava a uma paz interior que eu jamais havia sentido na minha vida. Nao possuia qualquer vontade ou intençao de sair dali, queria manter aquela paz por pelo menos 1000 anos, possivel data de existencia daquele local. Saber que um local como este, chamado Tipon, e que era um templo dedicado à fonte da vida existia a tanto tempo e que ainda guardava, a despeito de todas as iniquidades humanas, tamanha paz e amplidao me preenchiam de uma alegria imensa e de uma crença de que o belo e o bom, de que o trabalho da luz e do bem é mais forte que tudo e que há esperança, sempre.
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Peru 2008 - Põe Fortaleza

No hotel à noite me encontrei com Ka que muito contente me apresentou um senhor moreno como todos os peruanos, estatura mediana, com um grande sorriso no rosto. Mestre Francisco foi como Ka o introduziu.
Ka já havia me falado deste senhor e como houvera se tornado seu discípulo na tradição do conhecimento andino.
fiquei muito contente de conhecê-lo e ainda mais de receber seu convite, que era acordarmos antes do sol nascer e ir verificar como se davam os alinhamentos astronomicos nas ruínas de Quenco nos dias próximos ao Solstício de Inverno.
E justamente Quenco por onde passei grande parte do dia e havia tido experiências incríveis!
Ao comentar sobre a coincidência Mestre francisco respondeu com uma frase que eu o ouviria repetir inúmeras vezes pelos dias que se seguiriam: Esto no es una casualidad, si no parte de una causalidad.
Mestre Francisco gostava de jogos de palavras e seus significados subliminares, e eu achava interessante acompanhar seus raciocínios rápidos.

De pé as 4 da manhã fomos ver os alinhamentos em cusco. E chegando lá núvens por todos os lados! O sol nem queria dar o ar da graça e sua luminosidade já se podia ver. Já estava um pouco triste, juntamente com Ka, Mestre Fancisco e sua filha, e demias pessoas que compunham o grupo.

De um segundo para o outro as nuvens se dissiparam e os raios do Sol bateram numa pedra, que por sua vez projetou uma sombra no formato da cabeça de um felino. Se acompanhasse o possível olhar deste felino encontrava uma pedra em formato rústico de um coração.

Sempre havia lido e ouvido falar das formas criadas pelos Inkas através de pedras e alinhamentos astronomicos, mas a emoção de ver um deles acontecendo justamente à minha frente foi indescritível.

À medida que o sol subia no céu a sombra ia se desconfigurando até nao mais se parecer com um felino, ou o Puma, com o qual este felino mítico é associado.

Depois mestre francisco esplicou que o Puma é o símbolo da fortaleza, e que ao saír com o sol, despertando o local e as pessoas que nele se encontram ele trás uma mensagem de que devemos ser fortes internamente, ser fortes em nossas intenções, sentimentos e ações.

“Por isto, pon fortaleza, pon fortaleza!”

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Depois que Jorge me deixou ali sem saber o que fazer com o Urso e a Chakana decidi deitar-me nas costas largas do animal e tirar uma soneca.

Sonhos estranhos, que nao me lembro bem depois de acordar. Por fim, minha perna nao doía mais e minha pele já estava ardendo com o Sol. Levantei e decidi explorar um pouco mais Quenco Chico. Rapidamente encontrei uma pedra em formato losangular que muito se assemelhava à constelaçao do Cruzeiro do Sul. Mais adiante encontro tres buracos no chao com uma distancia e inclinaçao que se pareciam muito à do cinturao de Órion, ou Tres Marias como as conhecemos vulgarmente.

A forma nao linear em que as pedras estao dispostas sao um grande desafio a quem nao é um Inka iniciado naqules mistérios, mas deixei que minhas sensibilidade me guiasse e pedi à Terra e aos antepassados que me protegessem e me guiassem pelo local, e caso eu fosse digno, que eu pudesse conhecer algo do que ali deve ser feito.

Esta é uma fórmula mágica para lugares de poder, ter respeito, humildade, pedir licensa, proteçao e ajuda. O lugar se abre como uma flor, pois todos os lugares de poder, por mais antigos que sejam, estao vivos, querem interatuar com as pessoas pois foram criados para auxiliar a humanidade a desenvolver-se em todos os niveis.

Finalmente encontrei um local que me era querido e ali sentei, fechei os olhos e imediatamente me senti sobre as nuvens, imenso como um super gigante olhando de cima os picos nevados e montanhas e vales da cordilheira dos andes. Minha consciencia era do tamanho da consciencia dos deuses e podia observar toda a vida de uma perspectiva muito ampla.

Abri os olhos e observei que todas as pedras à minha volta possuiam terminaçoes que se assemelhavam aos picos que estavam à minha volta. De repente passei a ver o local onde eu estava como uma imensa maquete das montanhas e lugares sagrados. Era como se num fractal, pudesse elevar minha consciencia ao diminuir o mundo a minha volta. Levantei-me e passei a investigar as pedras sob este ponto de vista. Antes suas reentrancias e suas saliencias pareciam ser formas naturais, esculpidas pelo tempo, pela agua ou pelo vento. Mas diante daquela sensaçao de que estava em uma grande maquete tive a completa certeza que todas aquelas pedras haviam sido esculpidas em seus minimos detalhes.

Podia observar em alguns lugares a réplica identica de montanhas ao redor.

Me sentndo assim tao grande resolvi deixar o complexo e seguir montanha acima. Após alguns minutos de caminhada encontro uma outra massa enorme de pedras também em formatos nao convencionais. Como se conhecesse o caminho me dirigi a uma reentrancia na rocha que levava a uma pequena passagem subterrranea, ali uma escada leva a um local em formato de fenda ainda mais profundo dentro da terra.

Ao chegar ao fundo imediatamente já me sentia mais forte e mais compacto, vi a maestria dos Inkas ao colocarem um local onde podemos nos compactar logo após uma experiencia mistica, ou se fizesse o caminho contrário, como ter a base forte e segura para poder se lançar as alturas celestes.

Despois vim a saber que este local era Quenco, uma ruína muito famosa por alguns motivos que escreverei em outro artigo.

Esperando uma possibilidade de visitar Quenco Chico durante à noite para verificar seus alinhamentos, me pus a caminhar novamente na estrada de asfalto desta vez em direçao a Pukapukara e Tambomachai, ruínas Inkas a cerca de 10 Km dali. E o caminho era belo!

Em pukapukara encontrei uma fortaleza muito interessante mas sem experiencias dignas de nota.

Ao entrar em Tambomachai jà me sentia cansado da caminhada, do sol e da falta de comida. Provavelmente já estava no meio da tarde e os vales continuavam se estendendo por todas as partes.

pelo cainho de terra a cada passo que dava era como se mais e mais mundos subissem às minhas costas. ficava cada vez mais pesado e mais cansado.

Ao fim do caminho havia uma fonte com uma queda de água em uma altura e duas em um patamar mais baixo, que quando as observamos de frente fomam uma espécie de triangulo.

Cordas proibiam a chegada até a água e um grupo de japoneses de idade mais avançada estavam chegando ruidosos e fotográficos como sempre. Procurei uma pdera à sombra e me despenquei. Minha sensaçao é que estava me transformando em uma daquelas pedras e ficaria ali, imóvel, por milhares de anos.

De onde estava observava o grupo asiático. Eram cerca de 20 pessoas. Cada uma delas tirou foto sozinha na fonte. Depois todas as mulheres se juntaram e a foto colotiva. Em seguida o clube do bolinha fez sua foto. Neste momento chegava uma senhora mais velha que havia ficado para trás e entao mais uma sessao de fotos.

Por fim, quando já se distanciavam um pouco da fonte algo em mim fez meu corpo levantar, caminhei resoluto em direçao á fonte, me ajolhei, levantei a corda que impedia o contado com a água e molhei cabeça, nuca maos e boca.

Era uma fonte mágica. imediatamente parecia que tinha acabado de acordar. estava feliz, leve, tranquilo e bem disposto. Nao podia imaginar como poderia estar me sentindo tao cansado a menos de um minuto atrás.

Agradeci ao local a bençao recebida, e em hora muito apropriada e comecei a fazer meu caiminho de volta.

Para trás deixei o grupo de japoneses que gostando da minha audácia resolveram fazer o mesmo e já formavam uma educada fila. Como eu amo a existencia de lugares como o Peru e de pessoas como os japoneses!tambomachayfonte - tambomachayfonte

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Peru 2008 - A Viagem

Brancas. As nuvens eram todas brancas vistas pela janela do aviao e ocupavam todo o horizonte. Eu já aflito buscava ver alguma ponta de montanha cortando as alturas, ou um clarao nas nuvens que me mostrasse a mítica cordilheira dos andes.
Escondida sob o manto de vapor d`água ela se mantinha ainda mística.
De repente acordo sobressaltado de um cochilo. Olho a janela e o vapor rapidamente se condesava em picos brancos nevados, e estes em menos de um minuto se transformam em àgua líquida. Acho que sonhava, mas de repente as nuvens desapareceram e os picos que contornam o lago Titicaca se mostram em todo seu esplendor.
Que maravilha aquelas muitas escarpas quase tocando o céu e o aviao. Um pouco de medo ver as montanhas ali tao próximas. Mas de tao apaixonado que estava nao consegui mais desgrudar os olhos dos picos e do imenso lago que servia de pano de fundo ao nosso voo, por mais ou menos uns 15 minutos.

Entramos novamente nas nuvens, pousamos em Lima e outra vez saímos das nuvens para o mundo de montanhas sem fim. Após uma aterrisagem espetacular por entre as montanhas com direito a uma curva em descida de 180 graus encostamos os pés em Cusco. Capital do Império Inca por muitos anos e encravada num vale de luz maravilhosa. Fiquei tao embevecido que nao sai do lugar. fui o ultimo a deixar a pista de pouso.

A altitude, tao falada, nao teve seu efeito sobre mim, talvez porque já no aviao aceitei o chá de folhas de coca, talvez porque eu estava enamorado daquelas montanhas e respirava mais, ou melhor, suspirava.

Depois dos procedimentos normais de hotel fui diretamente ao Koricancha, local onde se situava importante templo Inca dedicado ao Sol, e que hoje abriga a igreja de Santo Domingo.

Em seu centro um pátio com uma fonte, rodeado por ruinas incas. Aproximei-me em silencio da fonte, vi que dela podia chegar ao coraçao de Pachamma, a mae terra. Pedi luz, proteçao e conhecimento para esta viagem, para mim e a todos os que irao estar comigo pelos proximos 14 dias.

Abençoado e feliz, trotei pelos mundos incas.

fontekoricancha - fontekoricancha

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Peru 2008 – a preparação

Uma semana, são os dias que me esperam para conhecer a famosa civilização inca.
Caído no tatami de aikido vendo algumas estrelas que provavelmente nem estão catalogadas e tentando segurar o urro que normalmente sucede às dores intensas, minha mente e meu coração só queriam saber se eu estaria apto a caminhar nas ruínas de pedras precisamente irregulares de Sacksawaman.
Pernas recolhidas, rosto colado no chão e uns 10 pares de olhos aflitos por saber a extensão do dano. Enquanto eu rolava após ter recebido uma técnica do professor meu pé se prendeu na barra de sua calça. Foi-se o corpo, ficou a perna e seu estiramento na parte de trás da coxa.
Depois de alguns segundos que se estendem no tempo como uma eternidade consegui ver que era apenas um estiramento muscular. Forte, porém não o suficiente para me tirar de campo. Bem, me tirou do tatami… Mas depois de um gelo, uma meditação e uma supervisionada do médico colega de dojo, consegui voltar para casa dirigindo. Diganóstico: Peru que se cuide, to chegando!
Aliás já cheguei. Ando sonhando com lugares estranhos ultimamente que tenho a leve impressão que os visitarei num futuro próximo nos arredores de Cuzco. E hoje mesmo quando estava deitado tentando dormir me senti envolto por algo muito suave, e a impressão que tinha era de estar sobrevoando montanhas que acredito serem peruanas. A sensação de conexão e amor envoltas naquelas montanhas é algo indescritível.
No meu pequeno tempo de vida tive a oportunidade de visitar muitos locais de poder. Cada um, como o nome diz, tem sua força, sua marca e sua característica. Mas é possível que naquelas escarpas andinas resida além de sua marca principal, que acredito ser este amor incondicional que sinto todas as vezes que com elas me conecto, haja ainda algo mais amplo para o mundo atual. É bem conhecido a profecia do 13 Dalai Lama que diz que a luz espiritual do Tibete se trasnportaria para a América do Sul. E num diálogo recente com meu irmão InKa, ou Ka para os íntimos, fiquei sabendo que esta energia teria passado em 1968 pelo México e depois teria tido alguns problemas para cruzar o canal do Panamá e que a agora, e isso já é achismo meu, estaria sobre o Peru.

A profecia, que foi escrita antes de 1924, ano do falecimento do dito Lama diz mais ou menos assim: “No Ano do Tigre e da Terra (1950) a religião e a administração secular do Tibete serão atacadas pelas forças da Fênix Vermelha. O 14 Dalai Lama e o Panchen Lama serão vencidos pelos invasores. As terras e as propriedades dos mosteriso lamaístas serão distribuídas. Os nobres e as altas personalidades do estado terão suas terras e seus bens confiscados e serão obrigados a servir às forças invasoras.
Contudo a grande luz espiritual que há séculos brilha sobre o Tibete não se apagará. Ela aumentará, difundir-se-á e resplancederá nas Terras da América do Sul e principalmente nas Terras de O Fu Sang, onde será iniciado um novo ciclo de progresso com a nova sétima raça dourada.”

Se isso tudo é fato ainda não sei, mas que metade da profecia já foi cumprida e que tem algo diferente naqueles lados Incas, isso tem. E é algo muito puro e bom. E quem souber o que quer dizer O Fu Sang favor me dizer. Se for nome de gente favor mandar o endereço para eu ir lá visitar!

E foi inspirado nestas informações e sensações que me atrevi a escrever algo sobre as mesmas um outro dia destes e cometo o vexame de colocar aqui em público. Para aqueles que forem muito críticos saibam que eu tenho um bom coração, gosto de doce de leite e minha mãe diz que sou um cara gente fina.

“Nós nascemos para amar.
Amamos o grito infinito e o choro quando viemos ao mundo amar a vida.
Amamos o riso incontido, encantado, semente e flor do amor por existir.
Amamos existindo, correndo, dormindo, suando, amando.
Não há um átomo sequer de nosso corpo e do ar que o anima que um dia não tenha estado no íntimo de uma estrela.
Nascemos sabendo brilhar!
Somos da idade do universo. Sábios e novos em folha.
E prontos para a amar. Porque o amor é união e estamos sempre unidos…
Seja ao amor de amar, ou de sofrer, de construir ou de morrer.
E mesmo quando morremos amamos da forma mais completa e possível porque nos livramos da mentira individual e nosso corpo é uno com os elementos, nosso espírito vasto na eternidade.
Nós nascemos para amar.
E nascemos todos os dias, amamos todos os dias, vivemos a exata porção daquilo que amamos livre, infinita e ilimitadamente. (14/04/08).”

Bom, e para finalizar o melado, um vídeo para alguma reflexão. dica da Ereni Tinoco, aprovitem:

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Aurora

Aurora500kb - Aurora

É comum buscarmos lugares de poder para nos alinharmos com as energias mais sutis. Pouco comum, mas igualmente gratificante é quando os lugares de poder nos chamam.

Este foi o caso de Aurora, no interior do Uruguai. Próximo à cidade de Salto.

O lugar é famoso desde a década de 70 do século XX quando aparições não identificadas nos céus e fenômenos estranhos aconteceram em grande quantidade no lugar, levando a população, o governo e estudiosos de todos os tipos a tecerem inúmeras teorias sobre o que se passavam no local. O escritor e espiritualista brasileiro Trigueirinho esteve também no local, naquela época, e acredita que os acontecimentos locais devem-se ao fato de a região estar localizada sobre uma cidade subterrânea chamada Aurora, cujos habitantes seriam seres mais elevados tecnológica e espiritualmente que a humanidade terrestre e que preparam a Terra e seus habitantes para mudanças drásticas que ocorrerão num futuro breve, mas ainda incerto.

O local também foi palco, na década de 60, de uma das bilocações (capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo) do Italiano, hoje canonizado, Padre Pio de Pietrelcina, o que também aumenta o ar de mistério em volta da região de Salto, mais especificamente a região de Termas de Dayman, distrito de Salto.

Há cerca de três anos, atendendo a um pedido de um amigo arquiteto e estudioso das energias da terra, Carlos Solano, estive na fazenda-monastério comandada por Trigueirinho no Sul de Minas Gerais. Na época havia um certo problema com as plantações do local e Solano imaginou que o uso da acupuntura da terra pudesse auxiliar na regeneração do solo naquele local. Dito e feito, após algumas intervenções no lugar a Terra respondeu fantasticamente e tivemos boas colheitas como sinal disto.

Desde então passei a ir regularmente à Fazenda Figueira, como é chamada, no intuito de auxiliar em questões geobiológicas de maior ou menor grau. Apesar de não me afinizar 100% com os dogmas lá pregados era impossível não notar o trabalho que a comunidade espiritual de Trigueirinho prestava à população local da cidade de Carmo da Cachoeira. Existe um auxilio incondicional e abnegado como nunca vi em nenhum lugar, onde a população da cidade se beneficia de atendimentos médicos, dentários, psciológicos, restaurante, cursos profissionalizantes, cursos de musica, coral, etc, etc, tudo gratuitamente. Com absoluta certeza é o único lugar que conheço onde a caridade é verdadeiramente exercida sem nenhum objetivo pessoal, sem desmerecer outros lugares onde a caridade também é feita, porém sempre com algum interesse, mesmo que pequeno e aceitável, por trás das ações.

Enfim, um dia destes atendo o telefone e Artur, o braço direito de Trigueirinho e grande responsável pela manifestação de tudo o que a Fazenda Figueira é hoje, me convida para uma viagem a Salto no Uruguai, onde eles iriam estabelecer um centro de cura numa fazenda que fora dada a eles com este fim.

Apesar de muitos compromissos e muitas coisas a fazer resolvi aceitar o convite imediatamente, tendo que mudar dia de palestras e cursos, coisa que normalmente não faria por se tratar de um trabalho voluntário, onde além de não receber teria que ainda arcar com algumas despesas. Mas algo me dizia para ir, e não é todo dia que um local de poder te chama até ele.

Tudo arranjado, malas prontas, vamos nós até o Uruguai. Uma pequena parada em Buenos Ayres, onde gentilmente uma pessoa do grupo de Trigueirinho na cidade me aguardava para me levar até a estação rodoviária internacional, onde tomo um ônibus para Salto no Uruguai. Algumas intervenções na alfândega tanto da Argentina quanto do Uruguai e por volta das 6:00 da manhã estava em Dayman, povoado de Salto, onde dormindo escutei a voz de Artur perguntando ao motorista se não havia um Allan do Brasil dentro do ônibus. Levanto assustado, salto do ônibus para entrar no distrito de Salto e num frio de quase 0 graus. Artur imagina que eu já estou super acordado e vai me dando detalhes de onde estou, me posicionando geograficamente sobre as ruas ao nosso redor e como era fácil me localizar ali. Eu ainda não tinha nem dado um bocejo quando entramos num jardim imenso e belo que conduzia a uma aconchegante casa situada sob um céu de estrelas, poucas nuvens e um clarão no oriente anunciando a aurora.

Dentro da sala um grupo silencioso de 10 pessoas se conformava em semi-círculo próximo a uma lareira, os cumprimentos foram de olhares e sorrisos. Sentei-me ao lado de Carlos Solano que já estava por ali, este sim abracei fisicamente e em seguida iniciou-se o rezar de um terço. A Ave-maria estava refeita, com frases novas que creio significar para o grupo algo mais próximo com o que estão vivendo, apesar de a estrutura ser exatamente a mesma. O pai nosso era substituído por mantras, que falavam de cristo ou de deus especificamente.

Ali naquela corrente, em meio a cochiladas, bocejos e calor do fogo e dos corações entrei em sintonia com o grupo de trabalho e começou nosso dia. Após o desjejum fomos imediatamente à fazenda ofertada ao trabalho de cura. Muito próxima do que se considera ser o epicentro da cidade subterrânea de aurora o lugar realmente tem algo de especial. Pode se sentir no ar uma leveza diferente e uma freqüência energética mais alta que o comum dos lugares. Mas fisicamente creio que passaria despercebido pela maioria das pessoas que por ali passam.

Começamos a caminhar pelo lugar e ele foi se abrindo como uma flor, mostrando suas diversas nuances, uma chaminé aqui, outra ali, rios de água subterrânea, locais de energia curativa fantásticas, e assim por diante.

Pela tarde auxiliar Solano a desenvolver o projeto arquitetônico para as varias edificações que irão dar suporte ao centro de cura.

No dia seguinte fomos marcar no local as edificações, escolhendo o melhor lugar para cada, porém chovia muito e ventava mais ainda. Ganhei uma manhã de folga e junto com Solano adiantamos o projeto. À tarde a chuva continuava e eu sabia que não teria muito tempo para esperar, juntamente com Artur e seu amigo Samuel fomos assim mesmo ao local. Nos ensopamos no meio de trovões e raios, um deles quase cai na nossa cabeça. Seu impacto foi tão próximo que a alteração magnética causada na atmosfera fez uma fagulha elétrica sair do martelo e atingir a mão de Samuel que além do choque levou um grande susto. Tarefa feita retornamos à casa.

Pela Noite resolvi ir visitar as termas. Coisa inesquecível. Do lado de fora algo em torno de 3 a 8 graus. Dentro d’água 42. Senti-me no útero materno e inúmeras vezes repeti o mesmo processo: retirava todo o ar dos pulmões e me deixava afundar na piscina. Lá embaixo agüentava o máximo que podia no silencio quente. Tudo o que ouvia era meu sangue sendo impulsionado pelas veias. Quando regressava à tona o fazia de maneira sutil e me sentia renascer para o mundo. Após inúmeras repetições percebi que no chão da piscina havia 6 buracos por onde a água quente entrava na piscina. Fui a um por um, representando cada chacra, e renascendo-os com a simples intenção de fazê-lo. Ao final dos 6, na piscina contígua havia uma fonte que ejetava água a cerca de 2,5 metros de altura. Era o meu chacra coronário que seria desta vez renascido com o restante do outros. Posicionei-me de costas sentindo a água da fonte passar por toda a coluna e por fim chegando ao topo da cabeça. Depois virei de frente e deixei cair a água purificadora sobre a frente do corpo. Apesar de ser um local de recreação creio que naquele momento aquelas termas eram um templo de renascimento para mim.

No dia seguinte fui visitar uma gruta erigida em homenagem a Padre Pio. Nada de mais no percurso, porém ao regressar ao carro, e justamente enquanto conversávamos sobre o fato de algumas pessoas sentirem um perfume cítrico quando atendidas pelo Santo fomos cercados por um aroma de tangerinas tão forte que me fez duvidar que pudesse ser algo energético. Procurei à volta por algum tangerinal, porém nos vastos quilômetros que os pampas me permitiam observar, apenas gado e pasto era visível. Respiramos portanto as benções de Padre Pio por alguns minutos. E retornamos ao carro congelados e felizes.

Ao regressar a Buenos Aires descubro que um outro centro de cidades subterrâneas era a região de Cuzco e Machu Pichu o que me fez pensar sobre a feliz “coincidência” de poder estar sobre estes lugares em espaço tão pequeno de tempo.

Talvez seja porque a “missão”, se é que podemos assim definir, destes locais de poder na atualidade seja justamente a de se afinar e auxiliar o planeta e a humanidade nele existente a passarem por este momento de transição que fará com que seja manifestada a cura planetária em todos os níveis.

Obviamente fiquei muito agradecido pela oportunidade dada por Artur e pelo lugar em si, além de ser muito agradecido por poder viver neste momento de tantas mudanças, um momento histórico único na vida de nosso planeta e peço que me seja dada a clareza para entender o que tudo isso significa, a capacidade de lembrar sempre as lições aprendidas e a coragem e a força para executá-las.

Parabéns a Trigueirinho, Artur e sua equipe por um trabalho tão belo e importante. Precisamos de muitos seres humanos assim na terra!

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