
É comum buscarmos lugares de poder para nos alinharmos com as energias mais sutis. Pouco comum, mas igualmente gratificante é quando os lugares de poder nos chamam.
Este foi o caso de Aurora, no interior do Uruguai. Próximo à cidade de Salto.
O lugar é famoso desde a década de 70 do século XX quando aparições não identificadas nos céus e fenômenos estranhos aconteceram em grande quantidade no lugar, levando a população, o governo e estudiosos de todos os tipos a tecerem inúmeras teorias sobre o que se passavam no local. O escritor e espiritualista brasileiro Trigueirinho esteve também no local, naquela época, e acredita que os acontecimentos locais devem-se ao fato de a região estar localizada sobre uma cidade subterrânea chamada Aurora, cujos habitantes seriam seres mais elevados tecnológica e espiritualmente que a humanidade terrestre e que preparam a Terra e seus habitantes para mudanças drásticas que ocorrerão num futuro breve, mas ainda incerto.
O local também foi palco, na década de 60, de uma das bilocações (capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo) do Italiano, hoje canonizado, Padre Pio de Pietrelcina, o que também aumenta o ar de mistério em volta da região de Salto, mais especificamente a região de Termas de Dayman, distrito de Salto.
Há cerca de três anos, atendendo a um pedido de um amigo arquiteto e estudioso das energias da terra, Carlos Solano, estive na fazenda-monastério comandada por Trigueirinho no Sul de Minas Gerais. Na época havia um certo problema com as plantações do local e Solano imaginou que o uso da acupuntura da terra pudesse auxiliar na regeneração do solo naquele local. Dito e feito, após algumas intervenções no lugar a Terra respondeu fantasticamente e tivemos boas colheitas como sinal disto.
Desde então passei a ir regularmente à Fazenda Figueira, como é chamada, no intuito de auxiliar em questões geobiológicas de maior ou menor grau. Apesar de não me afinizar 100% com os dogmas lá pregados era impossível não notar o trabalho que a comunidade espiritual de Trigueirinho prestava à população local da cidade de Carmo da Cachoeira. Existe um auxilio incondicional e abnegado como nunca vi em nenhum lugar, onde a população da cidade se beneficia de atendimentos médicos, dentários, psciológicos, restaurante, cursos profissionalizantes, cursos de musica, coral, etc, etc, tudo gratuitamente. Com absoluta certeza é o único lugar que conheço onde a caridade é verdadeiramente exercida sem nenhum objetivo pessoal, sem desmerecer outros lugares onde a caridade também é feita, porém sempre com algum interesse, mesmo que pequeno e aceitável, por trás das ações.
Enfim, um dia destes atendo o telefone e Artur, o braço direito de Trigueirinho e grande responsável pela manifestação de tudo o que a Fazenda Figueira é hoje, me convida para uma viagem a Salto no Uruguai, onde eles iriam estabelecer um centro de cura numa fazenda que fora dada a eles com este fim.
Apesar de muitos compromissos e muitas coisas a fazer resolvi aceitar o convite imediatamente, tendo que mudar dia de palestras e cursos, coisa que normalmente não faria por se tratar de um trabalho voluntário, onde além de não receber teria que ainda arcar com algumas despesas. Mas algo me dizia para ir, e não é todo dia que um local de poder te chama até ele.
Tudo arranjado, malas prontas, vamos nós até o Uruguai. Uma pequena parada em Buenos Ayres, onde gentilmente uma pessoa do grupo de Trigueirinho na cidade me aguardava para me levar até a estação rodoviária internacional, onde tomo um ônibus para Salto no Uruguai. Algumas intervenções na alfândega tanto da Argentina quanto do Uruguai e por volta das 6:00 da manhã estava em Dayman, povoado de Salto, onde dormindo escutei a voz de Artur perguntando ao motorista se não havia um Allan do Brasil dentro do ônibus. Levanto assustado, salto do ônibus para entrar no distrito de Salto e num frio de quase 0 graus. Artur imagina que eu já estou super acordado e vai me dando detalhes de onde estou, me posicionando geograficamente sobre as ruas ao nosso redor e como era fácil me localizar ali. Eu ainda não tinha nem dado um bocejo quando entramos num jardim imenso e belo que conduzia a uma aconchegante casa situada sob um céu de estrelas, poucas nuvens e um clarão no oriente anunciando a aurora.
Dentro da sala um grupo silencioso de 10 pessoas se conformava em semi-círculo próximo a uma lareira, os cumprimentos foram de olhares e sorrisos. Sentei-me ao lado de Carlos Solano que já estava por ali, este sim abracei fisicamente e em seguida iniciou-se o rezar de um terço. A Ave-maria estava refeita, com frases novas que creio significar para o grupo algo mais próximo com o que estão vivendo, apesar de a estrutura ser exatamente a mesma. O pai nosso era substituído por mantras, que falavam de cristo ou de deus especificamente.
Ali naquela corrente, em meio a cochiladas, bocejos e calor do fogo e dos corações entrei em sintonia com o grupo de trabalho e começou nosso dia. Após o desjejum fomos imediatamente à fazenda ofertada ao trabalho de cura. Muito próxima do que se considera ser o epicentro da cidade subterrânea de aurora o lugar realmente tem algo de especial. Pode se sentir no ar uma leveza diferente e uma freqüência energética mais alta que o comum dos lugares. Mas fisicamente creio que passaria despercebido pela maioria das pessoas que por ali passam.
Começamos a caminhar pelo lugar e ele foi se abrindo como uma flor, mostrando suas diversas nuances, uma chaminé aqui, outra ali, rios de água subterrânea, locais de energia curativa fantásticas, e assim por diante.
Pela tarde auxiliar Solano a desenvolver o projeto arquitetônico para as varias edificações que irão dar suporte ao centro de cura.
No dia seguinte fomos marcar no local as edificações, escolhendo o melhor lugar para cada, porém chovia muito e ventava mais ainda. Ganhei uma manhã de folga e junto com Solano adiantamos o projeto. À tarde a chuva continuava e eu sabia que não teria muito tempo para esperar, juntamente com Artur e seu amigo Samuel fomos assim mesmo ao local. Nos ensopamos no meio de trovões e raios, um deles quase cai na nossa cabeça. Seu impacto foi tão próximo que a alteração magnética causada na atmosfera fez uma fagulha elétrica sair do martelo e atingir a mão de Samuel que além do choque levou um grande susto. Tarefa feita retornamos à casa.
Pela Noite resolvi ir visitar as termas. Coisa inesquecível. Do lado de fora algo em torno de 3 a 8 graus. Dentro d’água 42. Senti-me no útero materno e inúmeras vezes repeti o mesmo processo: retirava todo o ar dos pulmões e me deixava afundar na piscina. Lá embaixo agüentava o máximo que podia no silencio quente. Tudo o que ouvia era meu sangue sendo impulsionado pelas veias. Quando regressava à tona o fazia de maneira sutil e me sentia renascer para o mundo. Após inúmeras repetições percebi que no chão da piscina havia 6 buracos por onde a água quente entrava na piscina. Fui a um por um, representando cada chacra, e renascendo-os com a simples intenção de fazê-lo. Ao final dos 6, na piscina contígua havia uma fonte que ejetava água a cerca de 2,5 metros de altura. Era o meu chacra coronário que seria desta vez renascido com o restante do outros. Posicionei-me de costas sentindo a água da fonte passar por toda a coluna e por fim chegando ao topo da cabeça. Depois virei de frente e deixei cair a água purificadora sobre a frente do corpo. Apesar de ser um local de recreação creio que naquele momento aquelas termas eram um templo de renascimento para mim.
No dia seguinte fui visitar uma gruta erigida em homenagem a Padre Pio. Nada de mais no percurso, porém ao regressar ao carro, e justamente enquanto conversávamos sobre o fato de algumas pessoas sentirem um perfume cítrico quando atendidas pelo Santo fomos cercados por um aroma de tangerinas tão forte que me fez duvidar que pudesse ser algo energético. Procurei à volta por algum tangerinal, porém nos vastos quilômetros que os pampas me permitiam observar, apenas gado e pasto era visível. Respiramos portanto as benções de Padre Pio por alguns minutos. E retornamos ao carro congelados e felizes.
Ao regressar a Buenos Aires descubro que um outro centro de cidades subterrâneas era a região de Cuzco e Machu Pichu o que me fez pensar sobre a feliz “coincidência” de poder estar sobre estes lugares em espaço tão pequeno de tempo.
Talvez seja porque a “missão”, se é que podemos assim definir, destes locais de poder na atualidade seja justamente a de se afinar e auxiliar o planeta e a humanidade nele existente a passarem por este momento de transição que fará com que seja manifestada a cura planetária em todos os níveis.
Obviamente fiquei muito agradecido pela oportunidade dada por Artur e pelo lugar em si, além de ser muito agradecido por poder viver neste momento de tantas mudanças, um momento histórico único na vida de nosso planeta e peço que me seja dada a clareza para entender o que tudo isso significa, a capacidade de lembrar sempre as lições aprendidas e a coragem e a força para executá-las.
Parabéns a Trigueirinho, Artur e sua equipe por um trabalho tão belo e importante. Precisamos de muitos seres humanos assim na terra!